quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Favela Tomou Conta de novo...pela vigésima terceira vez, sétimo ano só no "Dia das Crianças"

Texto: Alessandro Buzo
Fotos: Marilda Borges


Dexter cantou e a favela cantou junto


Os doces são sempre uma muvuca, mas cada moleque pegou uns 2, 3....os mais espertos uns 5.....


Alessandro Buzo apresentando a festa, missão cumprida


1o Show do Dia....Família Tramoia do Jardim Pantanal

Por Alessandro Buzo
O que diferenciou essa edição das outras 22 é que pela primeira vez tornamos "público" na internet, os problemas e dificuldades pra se realizar uma festa desse porte, mas isso foi apenas pra "justificar" o texto meu que disse que o Hip Hop precisa bem mais que MC, quem acessa direto sabe, PMSP liberou a estrutura a 12 dias da festa, falta de carro (eu não tenho) pra corres como comprar doces é foda, os amigo ou some tudo ou estão ocupados no dia, quem a gente sabe que faria, está ocupado. E quem organiza fica com todos os B.O.
Mas esse texto não é pra falar de tristeza, pelo contrário....o assunto é "ALEGRIA"....então cou começar de novo o texto, da licença ....

FAVELA TOMA CONTA FOI UM SUCESSO !!!!!!!

12 de Outubro de 2010 entrou para história do Itaim Paulista, foi dia de uma das festas mais lindas da história do "Favela Toma Conta" e eu estou extremamente feliz, coração transbordando alegria pela missão cumprida, por cada moleque que a 30 segundos me chamava: - O tio, tem CD ? O tio, vai ter doce ? O tio, tenho o CD do Dexter ? O tio......
Peço desculpas a quem se incomodar como a felicidade aleia, mas tô felizão mesmo.
Agradeço que trabalhou comigo (Buzo) no dia de ontem Tubarão, Marilda Borges, Da Antiga, DJ Claudião (valeu toda Função Pobre Loko) e quem trabalhou um dia antes embalando os doces, Zé Augusto, Eduardo B.Boy, Evandro e Thauany.....obrigado a quem compareceu e quem apenas torceu a favor, obrigado a Jéssica Balbino, Ricarda.....obrigado a comunidade do Itaim Paulista.
O evento estava tão organizado, que tudo correu dentro do horario previsto, desde às 6h da manhã quando começaram a montar o palco.
Meio dia o DJ Claudião inicio a festa com um som pra galera que a esse hora se resumia a umas 20 crianças na frente do palco.
14h - Já com um primeiro público de umas 500 pessoas, subiu a primeira atração do dia, o Grupo "Família Tramoia" do Jardim Pantanal.
Show de responsa, os mano abriu tudo bin laden, sinalizador de fumaça e mascaras foram usado na apresentação que abriu os caminhos.
Na sequência venho o Grupo Primeiro Ato, da hora o show do meu parceiro Gordinho e os manos que colam com ele.
Iamos distribuir os doces, mas do nada me aparece um bolo de 2 metros, feito pela comunidade (teve rateio de R$ 5,00, fiquei sabendo), eu que não sabia e muito menos estava esperando me emocionei pela primeira vez no dia, cancelamos os doces e partimos o bolo, com ajuda de mulheres da comunidade.
Deu pra todos e sobrou...teve até uma segunda parte do bolo que partimos no final.
Depois do bolo um show maravilhoso do Grupo "Tribunal Mc's" que deve ser quem mais se apresentou nas 23 edições do FAVELA, representantes do Itaim Paulista deram um show com novos e velhos sucessos.
Na cola do Tribunal Mc's venho os doces.....1.000 kit's fizeram a alegria da molecada.
Depois disso, venho nossa atração mais aguardada pelo público....anunciei ele assim: - O mano que vou chamar agora, não digo que é um prazer apresentar, pra mim é uma honra, com vcs DEXTER !!!!!
O oitavo anjo que já tinha atendido um monte de fã tirando fotos, subiu ao palco do Favela Toma Conta e venho um filme na minha cabeça, tudo que eu e esse mano já passamos, quando ele ainda exilado me disse: - Quando eu estiver na rua vou cantar no Favela Toma Conta.
Estavamos ali realizando esse sonho, meu e dele, quem estava presente assistiu um show impecável, Dexter com uma equipe monstro....Lakers, Nego Jam e a rapa toda.
Dexter cantou "saudades mil" e a favela cantou junto.
Pra mim já estava de bom tamanho, mas o Dexter resolveu falar umas palavras da minha pessoa e pela segunda vez no dia eu me emocionei, desta vez ficou mais difícil esconder, o Helton do BLOG Periferia Nacional eu sei que viu, se bobear até fotografou.
Dexter escreveu seu nome na história do Favela Toma Conta e do Itaim Paulista, ele cantou e a favela cantou junto dele.
Obrigado negão, ce ta ligado, qualquer coisa tamos ai também, sempre......
Se parece que já estava bom demais, ainda tinhamos a ultima atração e ela venho de longe......direto de Curitiba-PR, com vocês ARQUIVO NEGRO, ai....vi esse show no meio do público e vi gente se surpreender, uns até falavam comigo: - Caraio Buzo, os moleque são zica, heim ?
Eu não me surpreendi porque já tive a oportunidade antes, de ver eles se apresentando em Curitiba e sabia que a favela ia curtir, o show é muito bom, as letras idem.
Arquivo Negro fechou com chave de ouro mais uma edição do Favela Toma Conta que pode acontecer mais uma ou duas vezes ainda em 2010....uma no centro do Itaim Pta (Espaço Suburbano Convicto - Casa de Cultura do Itaim Pta) e uma na quadra da Imperador do Ipiranga em Heliópolis, em parceria com meu amigo Rappin Hood que é vice presidente da escola.
Até a GLOBO esteve ontem na Favela..... e não tinha ninguém algemado, ficaram o evento todo e exibiram ontem mesmo no SPTV 2a Edição (link abaixo)......


Assim foi mais um favela, missão cumprida.
Alessandro Buzo
www.buzo.com.br
www.favelatomaconta.blogspot.com
Suburbano Convicto Produções




Casa cheia


Guaianazes presente


Oitavo Anjo fez show inesquecível


Dexter 1


Dexter 2


Dexter 3




Dexter e seu público


Dexter entendeu a muitas fotos


Cacau Ras e Dj Claudião


Redação Movel do SPTV chamava a atenção, exibiram ontem mesmo no SPTV 2a edição


Frann (Tribunal Mc's) e Buzo


Os mano


Primeiro Ato


Buzo, DJ Claudião e Da Antiga


Arquivo Negro de Curitiba-PR


É o RAP....temos que cativar nosso público, molecada da quebrada


Dexter se prepara pra subir....


É o RAP !!!!


Teve até 2 metros de bola feito pela comunidade, valeu MAMA pelo corre, surpreza pra mim.....obrigado por ter no bolo 23 Favela Toma Conta


Plim, Plim.....


SPTV da GLOBO cobriu a festa, ou como diriam em off .....fez uma na favela.
Valeu Cleber, a reporter (depois falo nome, muita gente boa) e os dois mano da equipe, o camera já tinha "gravado" um som com o Dexter a mile anos (mundo pequeno)


Nóis q ta


Varios manos de várias quebradas


Perna de Pau


Lara e Lu (filha e esposa do Da Antiga)


Família Tramoia


Dj Claudião


Nóis q ta


Favela venho junto....

Twitter: @Alessandrobuzo
www.buzo10.blogspot.com

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Centro Cultural São Paulo, ontem teve "Profissão MC"


Buzo em debate no CCSP

Texto: Alessandro Buzo
Fotos: Marilda Borges

Nesta quinta (07/10), estive fazendo debate no CENTRO CULTURAL DE SÃO PAULO após a exibição do filme "Profissão MC", na Sala Lima Barreto.
Pensei que não teria ninguém devido a ter caido uma tempestade no final da tarde em SP, mas metade da sala estava ocupada, fiquei sabendo que terça, na primeira exibição (s/debate) estava lotada.
Cada vez que nosso filme passa num grande centro, num local tradicional como o CCSP, fico muito orgulhoso, porque fizemos sem dinheiro nenhum e um ano depois do lançamento (05/10/2009 no Olido), não para de ser exibido e vai passar agora, inclusive em outros países.
Vitória de quem acreditou que seria possível, parabéns pro Toni Nogueira que dirigiu o filme comigo, o Tiago Pastoreli que editou, Marilda Borges e Xantilee (produção) e cada ator ou figurante que participou, além é claro da Comunidade D'Avó onde filmamos no Itaim Paulista.
Se vc ainda não viu, deveria ver.
Ontem o público além de enfrentar a chuva, curtir o filme, ficaram atentos a uma hora e pouco de palestra (contei minha trajetória) e debate sobre o filme.
Obrigado ao CCBB e a todos que estiveram presentes, inclusive alguns que disseram acessar esse BLOG e me seguir no Twitter (@Alessandrobuzo)



Eduardo B.Boy, Buzo e Sueli após o filme

www.profissaomc.blogspot.com

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Matéria sobre o Profissão MC no Japão, site Web News, feitos por brasileiros (em portugues), no Japão

http://portalwebnews.com/index.php/2010/09/30/%E2%80%9Cprofissao-mc%E2%80%9D-no-japao/

ENTREVISTA
30 de setembro de 2010



Alessandro Buzo: “Usei e abusei da minha credibilidade”
Redação Portal WebNews

Arteiros trazem “Profissão: MC” ao Japão [Hamamatsu] em novembro



Coloque na agenda. O grupo Arteiros, que promove eventos culturais e sociais para jovens, em parceria com o HICE, apresentará no dia 7 de novembro de 2010 o filme do escritor brasileiro Alessandro Buzo intitulado “Profissão: MC”. A exibição será após uma palestra sobre drogas para os jovens brasileiros, em parceria com a delegacia central de Hamamatsu.
“Apesar da realidade totalmente diferente, o Japão, infelizmente, já não é como antes. Esse filme esta sendo usado principalmente para atrair os jovens para a palestra e também para conscientizá-los de suas escolhas”, explica Daniel Oshiro, que vai promover a exibição do filme no Japão.
- Um filme de realidade dos subúrbios brasileiros sendo exibido no Japão? – “Pode parecer exagero, mas moro em Hamamatsu desde os 15 anos, já vi em torno de três a cinco amigos e conhecidos serem presos por tráfico de drogas. Também vi um sem número de amigos serem presos por uso de drogas. Mesmo sendo outro país, outra realidade, acho válido esse filme ser exibido aqui”, responde Oshiro.
Segundo ele, o Hip Hop cresceu muito no Japão. “É uma boa exibir esse filme e chamar atenção dos jovens de Hamamatsu”, afirma Oshiro que também fará palestra para os jovens. O grupo surgiu em abril de 2010 para representar os jovens do Japão . Em setembro o Arteiros promoveu a mostra de curtas-metragens brasileiros em parceria com o jornalista Roberto Maxwell.
Representando a Literatura Marginal, com cinco livros publicados, Alessandro Buzo pertence à vanguarda cultural da periferia de São Paulo, leia-se Hip Hop. Um movimento que, aos poucos, deixa sua marca na cultura brasileira.
Para saber mais sobre um desses legados, o filme “Profissão: MC”, acompanhe a entrevista exclusiva com o escritor e diretor Alexandro Buzo ao Portal Webnews.

Portal Webnews: Quando e por que resolveu fazer esse filme?
Alessandro Buzo: Trabalhava numa produtora (desde começo de 2008 na DGT Filmes), começamos a fazer um quadro “Buzão – Circular Periférico” no Programa Manos e Minas da TV Cultura de SP, aí comecei a dizer que tinha um roteiro e queria filmar na minha quebrada (Itaim Paulista, extremo leste de SP), passei um ano insistindo até o Toni Nogueira encarar o projeto comigo e filmamos em cerca de sete dias, final de 2008, início de 2009. Editamos e lançamos em outubro/2009. Quis fazer o filme porque tudo que eu via da periferia era documentário, queria fazer uma ficção. Ficou muito parecido com a realidade (um jovem entre o Hip Hop e o crime), mas é ficção.

Portal Webnews: Como é trabalhar num projeto destes sem patrocínio?
Alessandro Buzo: Difícil porque a falta de grana traz algumas limitações, mas acho que o resultado final ficou muito bom. Um jornalista me perguntou se quero ensinar os grandes cineastas a fazer filme sem dinheiro, respondi que quero apreender com eles a fazer com dinheiro. Sem dinheiro pra abrir as portas, usei e abusei da minha credibilidade.

Portal Webnews: Como foi a recepção dos membros das comunidades quando vocês estavam fazendo as filmagens?
Alessandro Buzo: Muito boa, abriram a porta da comunidade e até de suas casas. A cada dia de filmagem era uma loucura, pessoas juntavam para assistir as cenas e aplaudiam no final.

Portal Webnews: Onde foi filmado?
Alessandro Buzo: Numa comunidade no Itaim Paulista, último bairro da zona leste de São Paulo (Brasil), bairro periférico com cerca de 400 mil habitantes.

Portal Webnews: Qual é a mensagem final?
Alessandro Buzo: O crime não compensa.

Portal Webnews: Pretende fazer outros filmes?
Alessandro Buzo: Quero fazer um curta sobre o “CRACK” (15 minutos), também sem captar dinheiro e pretendo arrumar alguma grana pra fazer um longa “O Plano” é o título provisório.

Portal Webnews: Qual mensagem você manda aos brasileiros que estão no Japão?
Alessandro Buzo: Um grande abraço, a internet diminui a distância entre a gente. Então estamos muito longe, mas ao mesmo tempo muito perto, fiquem ligados no meu BLOG e no BLOG do filme.


SINOPSE
Profissão Mc traz a estória de um rapper na periferia que num momento delicado de sua vida, desempregado e com a namorada grávida, recebe duas propostas: uma para entrar no tráfico de drogas e outra para seguir apostando no RAP.
Profissão MC é um filme sobre oportunidades, ou falta delas.
Este filme não captou um único real para ser produzido e pretende ser exibido em várias comunidades pelo Brasil.
Marca a estréia de Alessandro Buzo como diretor, junto ao experiente Toni Nogueira. www.profissaomc.blogspot.com

PROFISSÃO MC
Ficha Técnica
Título Original: Profissão MC
Gênero: Drama
Duração: 52 min.
Lançamento (Brasil): 2009
Site: www.profissaomc.blogspot.com
Distribuição: Suburbano Convicto Produções
Direção: Alessandro Buzo e Toni Nogueira
Roteiro e Argumento: Alessandro Buzo
Produção: DGT Filmes
Trilha Sonora: Criolo Doido; Rappin Hood; Dudu de Morro Agudo; Periafricania; Décio 7 e Cris Scabello.
Direção de Fotografia: Toni Nogueira
Fotografia: Toni Nogueira
Tiago Pastoreli
Finalização: Mauricio Falcão
Arte Cartaz: Sérgio GAG
Captação de Aúdio: Edimar F. de Jesus (Xantilee)
Tratamento e finalização de aúdio: Estudio Traquitana
Edição: Tiago Pastoreli
Seleção de atores: Alessandro Buzo
Assistente de Produção: Marilda Borges


Criolo Doido (protagonista), Toni Nogueira e Alessandro Buzo (diretores)

Elenco: Criolo Doido; Dj Dan Dan; Da Antiga; Juju Denden; Neto; Wagnão; Marquinhos.
Participação Especial: Rappin Hood e Beto Guilherme.
Figurantes: José Soares (policial 1), Trutty (policial 2), Marcio Roots, Zinho Trindade, Tubarão, Alvaro Buzo, Michel da Silva, Michel Premonição, Walter Limonada, Fanti Manumilde, Eduardo Bboy, Fernando Premonição, Alessandro Buzo, Marilda Borges, DJ Marco, Terra Preta, Pedro Gomes, Tais Terto (garota campinho), Cacau Ras e outros.

Contato: alessandrobuzo@terra.com.br

sábado, 25 de setembro de 2010

Bocada Forte: Entrevistas

Suburbano Convicto: Alessandro Buzo celebra 10 anos de carreira
Data: 24/09/2010

Essa entrevista minha (Buzo), feita pela amiga Jéssica Balbino e publicada originalmente no Site BOCADA FORTE (www.centralhiphop.com.br)



Em comemoração a seus 10 anos de carreira, o escritor, apresentador de TV, cineasta e agitador lança o livro independente Buzo 10, com 10 crônicas
Diariamente, ele enfrenta mais de duas horas de trem, entre Itaim Paulista e o bairro do Bixiga, no centro de São Paulo, onde administra a livraria Suburbano Convicto. Participa de saraus, encontros, debates e palestras, e viaja por todo Brasil. Responde e-mails, atualiza todos os blogs que tem, cuida da esposa, do filho e ainda concilia o tempo com a diversão - o que inclui livros, filmes e a cervejinha. Coleciona, além de livros – está lançando seu sexto título -, amigos e admiradores por todo o país, que carrega consigo, ajudando e dando a primeira oportunidade a novos escritores, na coletânea Pelas Periferias do Brasil.
Alessandro Buzo não para. E, enquanto atualiza seu microblog no Twitter (@Alessandrobuzo), parece se desdobrar em vários, para dar conta de tantos compromissos e realizar todos com precisão e profissionalismo. Também é apresentador de TV (com o quadro “Buzão Circular Periférico”, no programa Manos e Minas, da TV Cultura) e cineasta, tendo produzido o filme independente Profissão MC, protagonizado por Criolo Doido. Cheio de ideias, também criou o Espaço Suburbano Convicto, na zona leste da maior cidade brasileira.
Buzo, que completa 38 anos neste sábado (25/9), está lançando o livro Buzo 10, com 10 crônicas, celebrando seus 10 anos de carreira. Assim, este ´suburbano convicto` se alimenta de cultura e não deixa de distribuí-la por onde passa, sendo o dono da primeira livraria do Brasil especializada em literatura periférica. Confira, a seguir, uma entrevista com este inquieto escritor e agitador cultural:



Central Hip-Hop (CHH): Fale um pouco sobre seus 10 anos de carreira e sobre as diversas atividades que desenvolve.
Alessandro Buzo (Buzo): Sou escritor, apresentador e cineasta. Desde o lançamento do meu terceiro livro, vi que era isso mesmo que eu pretendia fazer o resto da vida: trabalhar com cultura. Mas um marco foi quando me libertei do trabalho em uma empresa e passei a viver só dos meus ´corres` culturais, isso foi de 2007 para 2008. São poucos que, hoje, conseguem viver só da cultura, e me orgulho de ser um deles.

CHH: Qual foi o principal ponto de mudança? O que você acha que determinou que mudasse de profissão - e de rumo - e chegasse hoje aos 10 anos de carreira?
Buzo: Acreditar nos sonhos mais loucos que eu tive. Se não fosse assim, não teria lançado todos esses livros, não teria feito um filme sem dinheiro, não teria conseguido chegar à TV Cultura. A coragem de fazer e depois ver no que ia dar foi determinante. As pessoas, muitas vezes, não fazem porque esperam outras pessoas acreditarem nos projetos. Eu sempre acredito antes de qualquer um.

CHH: Como é completar uma década dentro hip-hop e, principalmente, dentro da literatura periférica, ainda pouco reconhecida?
Buzo: Ainda é muita "resistência", porque os espaços não são muitos e tem muita gente no corre, procurando se destacar. Para mim, completar 10 anos e estar com tantos bons projetos em andamento é motivo de alegria e satisfação pessoal. Cheguei até aqui sem pisar em ninguém e ainda trazendo muita gente comigo.

CHH: Este seu sexto livro está sendo lançado de maneira independente. Como é isso? Apesar de você já ter trabalhado com duas editoras, nenhuma delas quis abraçar o projeto dos 10 anos de carreira?
Buzo: É um livro comemorativo, com 10 crônicas sobre esses 10 anos. Não é um projeto assim tão “comercial”, então nem procurei editora. Mas nesse ano ainda lanço meu sétimo livro, Hip-Hop - De Dentro do Movimento, e de novo vai ser pela Aeroplano Editora. Para mim, é tranquilo. Uns podem sair por editoras e outros pelo selo que estou lançando, o Suburbano Convicto Edições.

CHH: Você é proprietário da primeira livraria do Brasil especializada em literatura marginal, um local em que recebe inúmeros amigos de todo o Brasil e oferece produtos voltados para a cultura hip-hop, além de um grande acervo. Isso sem falar nos saraus, debates e eventos que você promove no espaço. Você acha que, com isso, está inovando no modelo de livrarias do país, assim como fez com o modelo de literatura?
Buzo: Acho que sim. A livraria é cada vez menos comércio apenas, e está se tornando um centro cultural. Acho que isso ajuda e muito a ter uma identidade própria, mas, quanto a ser exemplo para outras livrarias, só o tempo irá dizer.

CHH: Quando você decidiu que seria escritor e não mais assalariado, e que viveria de cultura, imaginou, em algum momento, como estaria hoje, 10 anos depois?
Buzo: Passei sete anos desses dez fazendo as duas coisas. Só em 2008 é que, de fato, consegui deixar a empresa em que eu trampava, vendendo alimentos para restaurantes, e me tornar apenas o Buzo dos corres culturais.

CHH: Nesses 10 anos, qual foi o pior momento?
Buzo: Foi entre 2002 e 2003. Eu estava endividado, desanimado, tinha lançado meu primeiro livro em 2000 e não tinha nenhuma perspectiva de conseguir publicar o segundo, o que só aconteceu em 2004. Nessa época, eu estava passando por sérias dificuldades financeiras e foi o pior momento desses 10 anos. Mas... nada como um dia após o outro dia.

CHH: Em alguma ocasião você pensou em desistir?
Buzo: Sim. Nesse tempo, pensava que não tinha passado de uma ilusão ter lançado um livro. Eu estava sem rumo e sem motivação, mas sempre que pensava em desistir vinha uma entrevista, uma matéria, uma palestra, e me mostrava que o sonho não tinha acabado. Um dia, estava desanimado e o Helião me ligou para convidar para sair nas fotos do encarte do CD Evolução É Uma Coisa, do RZO. Essas coisas me motivavam nos piores momentos.

CHH: E qual foi o melhor momento?
Buzo: Foi o lançamento do meu filme com a Galeria Olido lotada, é cada vez que uma pessoa diz que leu um livro meu e curtiu, quando dizem que acompanham meu quadro na TV...

CHH: Você imagina como estará sua vida nos próximos 10 anos? Tem planos?
Buzo: Tenho sim. Quero lançar outros livros e filmes, quem sabe com um programa de TV em vez de um quadro. Quero estar empregando pessoas pra trabalhar comigo, quero ter minha casa própria e mais estrutura.

CHH: Entre os inúmeros projetos que você tem atualmente, qual deles lhe dá mais prazer? Por que?
Buzo: Lançar um livro novo me dá prazer, ter o quadro na TV me dá prazer, porque estou mostrando uma periferia que o Datena não mostra. Ver meu filme sendo exibido me dá prazer.

CHH: Você se considera uma referência da literatura marginal brasileira? Por que?
Buzo: Acho que outras pessoas devem achar isso. Eu só faço as coisas, não com esse intuito, só vou fazendo. "Nóis capota mas num breka!”. Fico feliz quando alguém diz que eu sou referência, mas essa não era minha meta principal. Aconteceu naturalmente.

CHH: O que nunca o perguntaram, mas você gostaria de ter respondido?
Buzo: Eu gostaria de ter respondido que vivemos num mundo mais justo, com menos corrupção e desigualdade social... Quem sabe um dia isso não se torna uma realidade e eu possa responder na entrevista dos meus 20 anos de carreira?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Entrevista exclusiva com Juninho do CICAS

Entrevistamos o Juninho do CICAS, que sofreu pressão para deixar o local onde executa suas atividades e assim como no "caso Manos e Minas" eles fizeram pressão e reverteram.......
Vamos conhecer mais desse coordenador do CICAS....por Alessandro Buzo


Juninho do CICAS


Alessandro Buzo: Juninho, como e quando foi sua ligação com a cultura ?
Juninho: Meu primeiro contato com a cultura veio através da música, aos 19 anos, quando formei uma banda de rock onde buscava expressar alguns desabafos e expor nas composições a realidade e dificuldades que enquanto jovem, eu e tantos iguais enfrentávamos. Mas como optei pelo rock’n’roll, e o acesso a equipamentos de primeira estava longe da minha realidade, muitas das pessoas não entendiam uma virgula do que eu cantava, com isso fui criando alternativas de expor meu pensamento nessa caminhada, produzindo zines, declamando em saraus e a partir daí, o contato com diferentes formas de expressão foi ampliando minha visão e curiosidade no meio cultural e literário.

De onde você é, onde cresceu ?
Juninho: Sou natural de São Paulo mesmo, fui criado com minha irmã pela minha mãe, morei 23 anos em Itaquera, zona leste, mas cresci praticamente na zona norte, solto entre os bairros do Parque Edu Chaves, Jd. Brasil, Vila Sabrina e Vila Maria, onde moro atualmente.

Como vê a cena dos saraus na cidade de São Paulo?
Juninho: Nos últimos anos tem crescido a procura e a exposição dos saraus de São Paulo de maneira impressionante, através de programas de incentivo, facilidade de acesso a Internet, entre outros fatores, as comunidades literarias estão aparecendo e trocando informação. Desmistificando aquela antiga imagem de que literatura é coisa chata, coisa de gente estudada, coisa apenas de livro... O Sarau é a literatura viva, com pernas e voz, expressões e emoções... Percebo que entre os escritores, ainda nos dividimos em classes... tem o sarau da “elite” e tem o sarau das “periferias”, isso é ruim mas é fato, mas independente disso, fico feliz vendo circular tanta informação e convites novos, fico feliz por ser bem recebido em qualquer sarau, fico feliz em descobrir que cada sarau sustenta uma identidade, sempre em busca do mesmo fim.

Projeto CICAS, como e porque surgiu ?
Juninho: O CICAS é o Centro Independente de Cultura Alternativa e Social, fundado em março de 2007 em parceria com outro musico e escritor (Humberto Fonseca/ o Bebeto CICAS) e surgiu a partir da nossa necessidade (enquanto artistas) de um espaço para desenvolvermos e apresentarmos nossos trabalhos na nossa quebrada. Tínhamos conhecimento que o local onde hoje abriga o projeto CICAS, estava abandonado tanto pelo poder público quanto pela própria população há mais de 15 anos, quando iniciamos um trabalho de planejamento e pesquisa na região, até darmos inicio ao trabalho braçal de recuperação do espaço, onde durante todo o processo, as crianças, a comunidade, outros artistas, iam chegando, querendo saber, querendo somar e a partir da junção de todas as propostas e necessidades encontradas é que o CICAS foi tomando forma e vive até hoje essa constante evolução, tudo a base da troca, do voluntariado, da ação comunitária e principalmente do fortalecimento e valorização dos coletivos e indivíduos ativistas culturais independentes.

Quais as atividades do CICAS ?
Juninho: Inicialmente, fomos implantando as atividades abertas ao publico de acordo com as condições fisicas do espaço, sem água e luz, desenvolvíamos sarau a luz de vela, intervenções na rua, capoeira e trabalhamos bastante na recuperação do solo, plantio e questões de re-educação ambiental, sempre visando aproximarmos o contato com a comunidade local. Hoje, com alguns projetos e parcerias já firmados com a Secretaria de Cultura, o CICAS abre as portas para o Cinema, Biblioteca, Studio de Gravação e Ensaio para bandas e grupos musicais, Teatro, Dança do Ventre, Capoeira, Aulas de Inglês, de iniciação Musical, oficinas ambientais, oficinas de áudio visual, além de grandes Festivais Culturais com Shows e Espetáculos que trazem como proposta principal a diversidade, a miscigenação das artes e outras ações sociais como almoço Comunitário, palestras e debates educativos e outras campanhas. Estando sempre aberto a novas propostas de ocupação de espaço por outros coletivos de mesmo cunho e objetivo cultural.

Como está o caso de terem tentado expulsar vocês do espaço que ocupam ?
Juninho: A Sub-prefeitura da região, que durante os 3 anos negou a responsabilidade sobre a área, chegou ao espaço em junho deste ano, com ordens de remover o espaço para a revitalização da praça onde esta construído o galpão do CICAS, alegando que a construção era irregular e que nós ocupávamos “ilicitamente” o local. Alegaram não saber da existência do nosso projeto, mesmo com parcerias firmadas e reconhecidas pela própria prefeitura, através da Secretaria de Cultura, como o Programa VAI por exemplo, lei de incentivo a iniciativas culturais em 2009. Com base nessas informações eles chegaram a nos despejar do espaço retirando todo nosso patrimônio sob ameaça de demolição no dia seguinte. Recorremos a todos os caminhos possíveis de defesa, desde parlamentares, advogados, engenheiros, a mídia, mobilização comunitária, até o Ministério publico para conseguirmos um primeiro dialogo, que impediu a derrubada e abriu campo para a regularização definitiva do espaço, tudo isso depois da interferência direta do próprio secretario de Cultura do Município e a exposição na grande mídia através da reportagem no Proteste Já do CQC. No momento os procedimentos são burocráticos e estamos encaminhando toda documentação necessária, contamos ainda com apoio do Lab-Cidade – da FAU USP, que esta desenvolvendo esse projeto formal em parceria com o CICAS.

Imagina se o CICAS não ocupar esse espaço, o que vai acontecer como ele na pratica, no dia a dia ?
Juninho: Confesso que no calor do confronto, quando vieram com a policia e a ignorância junto, eu não senti nada, absolutamente, um vazio, lembro quando carregava cada item nosso jogado na rua, sabendo que cada objeto insignificante daquele carregava uma historia do CICAS, parte da contribuição de alguma pessoa, ... Mas o vazio do peito, não chegava nos olhos que por momento algum enxergou um fim pra situação. Se não ficássemos no espaço, com certeza iríamos pra cima de um novo CICAS, o fundamental a gente carrega no sangue e insiste nele, artista da periferia é assim, nasce pronto pra enfrentar barreiras e preparado pra cair, mas desistir não.

Como viu a mobilização de vários em prol do CICAS ?
Juninho: Foi impressionante a dimensão da mobilização, vi o CICAS em todo lugar, pessoas chegavam por lá pela primeira vez na vida e era como se eu as conhecessem a tempos, a energia que cada pessoa que fez parte da mobilização e da resistência trazia era indescritível, e a coisa tava além do CICAS, muita gente presente estava em situação semelhante em outros locais, enfrentando a opressão do falho poder publico, que não tem sensibilidade nenhuma com os artistas organizados, com a cultura em geral, e tampouco tem conhecimento das reais necessidades das comunidades periféricas.

Recentemente a TV Cultura voltou atrás no caso do fim do Manos e Minas, depois de uma mega repercussão/mobilização, a periferia está aprendendo a contestar ?
Juninho: Ahhh! Com certeza, a periferia aprendeu a contestar e está aprendendo bastante coisa, ficamos felizes pela repercussão em defesa dos bons programas da Cultura, é um direito a menos pra gente perder, e um exemplo a mais de que a Mobilização funciona, a gente é criado numa cultura do medo, onde quem manda é a maquina, e quando precisamos enfrentar algo, esquecemos que a tal maquina é composta por seres errantes e mortais como qualquer um. Acredito que caminhamos para um futuro melhor, mas se ficarmos esperando que façam por nós, que entreguem pronto... principalmente por “aqui”... só ficaremos esperando até cansarmos de viver.

Um filme ?
Juninho: A espera de um milagre, é um que marcou minha infancia e traz no titulo uma sugestão que vai de encontro com a resposta anterior...

Um livro ?
Juninho: O Livro que mais li na vida foi o Assim Falava Zaratustra, do polemico Friedrich Nietzsche, que busca a superioridade do ser humano, numa doutrina fora dos sistemas atuais de controle pelo poder.

Quem é o Juninho no dia a dia ?
Juninho: O Juninho é o mais o tranqüilo dos homens, sempre rindo, poeta, fala mansa (comparado aos gritos monstruosos na banda de hardcore), tenho dois filhos, o João fazendo 6 anos, e o Pablito de 7 meses, mais uma vozinha que mora comigo de 93 anos, a Maria minha esposa, divide essa responsa comigo, entendendo todos os corres, todo meu sacrifício de tempo dividido entre a família, a casa, o trampo, a banda, o CICAS, os estudos que não podem parar e o planejamento futuro, de novos projetos, da escrita... enfim. O Juninho no dia a dia é quase tudo que está a seu alcance, tentando aproveitar cada situação e sonhando com o regitro e continuidade de tudo isso.

Considerações finais ?
Juninho: Quero apenas agradecer a essa oportunidade e contato, agradecendo também a todos que fizeram e fazem parte da caminhada cultural brasileira, temos que expor nosso orgulho nas artes e assim continuaremos contaminando novos corações de esperança real.

Luiz Carlos Sendro Junior (Juninho13)
nascido em 20 de agosto de 1983.


Sede do CICAS

CONTATO: projeto.cicas@gmail.com

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Entrevista exclusiva com o cineasta Cacá Diegues

m dos maiores cineastas do país, Cacá Diegues tem forte ligação com a periferia e nessa entrevista exclusiva aos nossos blog´s, ele comenta o 5X Favela e confirma que vem ao Itaim Paulista, exibir DOC. gravado paralelo a gravação do filme, além de promover debate com outros diretores da Obra.
No dia (a confirmar), teremos abertura do filme "Profissão MC"....



Alessandro Buzo: Qual a diferença (ou não existe) do filme 5XFavela de 1962 e o de agora ?
Cacá Diegues: O filme de 62 era dirigido por cinco jovens universitários de classe média, com uma visão social e politicamente generosa. Mas esse é realizado por jovens moradores de favelas, cineastas que nasceram e moram nessas comunidades e que portanto são capazes de contar suas histórias de modo mais sincero, verdadeiro e visceral. É a primeira vez que isso acontece no cinema brasileiro.

Buzo: Como conheceu os diretores dos 5 episódios atuais ?
Cacá Diegues: Desde o início da década de 1990 que dou aulas, faço palestras, organizo projeções de filmes nessas comunidades, convidado pelas ONGs locais. Fui um dos fundadores, por exemplo, do curso de audiovisual da CUFA, em Cidade de Deus. Nesse período, vi uma geração de cineastas moradores de favelas surgir e crescer. Alguns dos que fizeram 5XFavela são amigos antigos, que acompanho há muito tempo. Mas outros eu conheci durante as oficinas de roteiro e preparatórias para o filme.

Buzo: Defina Periferia / Favela, como vê essa questão, socialmente e culturalmente ?
Cacá Diegues: Não tenho capacidade cientifica ou cutural para dar uma definição precisa de periferia ou favela. Mas eu diria que são comunidades excluidas dos direitos de cidadania que o resto da população tem. Comunidades onde o estado não chega com seus serviços básicos de segurança, saúde, educação, etc.

Buzo: Na decada de 60, 70...você já fazia filmes como Gamba Zumba, Xica da Silva, depois decada 80....Quilombo ? De onde vem a ligação com o tema ?
Cacá Diegues: Basta colocar uma câmera na rua que ela vai registrar uma realidade que as elites do país sempre negaram. O Brasil é um país luso-africano, e devia se orgulhar muito dessa originalidade que lhe permite dar uma contribuição decisiva e positiva à civilização mundial. A história da cultura negra, de descendência africana, no Brasil, tem muito a nos ensinar sobre isso.

Buzo: Governo Collor pro cinema brasileiro ?
Cacá Diegues: Foi um desastre, Não só pro cinema, como para toda a cultura nacional. Um homem que levou seu rancor pessoal para o exercício do poder público,

Buzo: Qual sua ligação com Maceió-Alagoas, onde nasceu ?
Cacá Diegues: Uma profunda ligação sentimental. Foi lá que vivi minha infância e, sempre que volto lá, ainda procuro os mesmos cheiros e gostos que sentia quando era criança. Ainda tenho muitos e bons amigos por lá.

Buzo: Assisti no Olido (centro SP), decada de 80, o filme "Um Trem Para as Estrelas", como foi produzir esse e outro filme "Dias Melhores Virão" numa fase difícil do nosso cinema ?
Cacá Diegues: Naquele momento, o cinema brasileiro passava por momentos dificeis, como aliás o resto do Brasil. A ditadura tinha acabado mas a democracia não havia trazido desenvolvimento e bem estar para o povo. A produção de cinema no Brasil havia caído de quase cem filmes anuais, no fim dos anos 1970, para menos de 20 no final dos anos 1980. Em 1992, por exemplo, já no governo Collor, não se produziu nenhum filme no país.

Buzo: O título "Dias Melhores Virão" é uma mensagem do cinema brasileiro, de que as coisas iam mudar ?
Cacá Diegues: Era mais uma declaração de desejo de que as coisas mudassem. A própria história do filme apontava para uma ironia em seu título.

Buzo: Importancia do filme "Cidade de Deus" para popularizar o cinema nacional e qual mais você destaca que cumpriu esse papel ?
Cacá Diegues: O grande filme nessa fase de "retomada" do cinema brasileiro, a partir de 1995, foi "Central do Brasil", de Walter Salles, um filme que insistia na ideia de filmar a cara do Brasil como ele é e, ao mesmo tempo, ser acessível a seu povo. "Cidade de Deus" é um grande filme, uma verdadeira obra-prima, mas foi um pouco vítima do seu próprio sucesso, reforçando um estereótipo sobre as favelas e periferias do país.

Buzo: Como é ter seus filmes exibidos comercialmente na Europa, EUA, América Latina ? Cite um filme que foi muito sucesso no extrageiro, em qual país mais precisamente ?
Cacá Diegues: É sempre bom saber que outros países têm curiosidade pelo que fazemos aqui no Brasil. Em geral, meus filmes têm circulado pelo mundo todo e isso significa que se interessam pelo que eu faço. E pelo Brasil também. Meu filme de maior sucesso no mundo foi Bye Bye Brasil. Mas outros, como Xica da Silva, Quilombo, Um trem para as estrelas, Orfeu, etc., também circularam muito por todo o mundo.

Buzo: Quando é indicado para grandes premiações, o que espera delas ? Da um frio na barriga ?
Cacá Diegues: É sempre um prazer ganhar um premio, mas não quero dirigir minha atividade para isso. Se o premio vier, tanto melhor, mas não é para isso que faço filmes.

Buzo: OSCAR ? O que pensa dele e pretende ganhar a estatueta um dia ?
Cacá Diegues: O Oscar é uma vitrine, como os festivais de cinema, através da qual mostramos nossos filmes para o mundo. Se quiserem me dar um, aceito com todo prazer. Mas não trabalho com essa meta.

Buzo: Quem é Cacá Diegues no dia a dia ?
Cacá Diegues: Um cara que trabalha muito e se interessa por gente, a começar pela própria familia.

Buzo: De um a três filmes que marcaram sua vida ? Porque ?
Cacá Diegues: Sempre gostei de cinema, mas nunca pensei em ser cineasta, achava dificil isso acontecer no Brasil de minha adolescência. Foi quando vi "Rio, 40 graus", de Nelson Pereira dos Santos, que vislumbrei essa possibilidade e decidi ser cineasta brasileiro.

Buzo: Um ator brasileiro ?
Cacá Diegues: José Wilker, Antonio Fagundes, Lázaro Ramos.

Buzo: Um atríz, também brasileira ?
Cacá Diegues: Fernanda Montenegro, Zezé Motta, Roberta Rodrigues

Buzo: Projetos como CUFA, Afroreggae, Enraizados....só pra citar o Rio de Janeiro, como vê o crescimento deles ? Qual a importancia que isso tem ?
Cacá Diegues: Essas organizações são indispensáveis, elas estão mudando o caráter da produção cultural de periferia, dando a esses jovens artistas um outro sentimento sobre eles mesmos e o mundo em que vivem. "5XFavela" não existiria sem o apoio decisivo de CUFA, Nós do Morro, AfroReggae e Observatório de Favelas.

Buzo: Em quem vai votar pra presidente em 2010 e o que achou de 8 anos do Governo Lula ?
Cacá Diegues: Votei duas vezes no FHC e duas vezes no Lula, e fiquei muito contente com isso, nenhum dos dois me decepcionou. O Brasil podia avançar mais depressa, mas de qualquer maneira melhorou muito neste período dos dois presidentes.

Buzo: Pra encerrar.....vem mesmo ao Itaim Paulista, exibir o DOC (gravado paralelo as filmagem do 5XFavela) ? Conhecer o Espaço Suburbano Convicto ? O que espera do encontro ?
Cacá Diegues: Vou, sim, basta marcarem a data e eu estarei lá, com alguns dos cineastas jovens de 5XFavela. Esse encontro é indispensável para que conheçamos uns aos outros, compreendamos que os problemas são os mesmos e as aspirações também. São Paulo e Rio de Janeiro são cidades formadas por um mesmo povo, com a mesma origem, as mesmas dificuldades e os mesmos sonhos. Nada mais importante nos encontrarmos para constatarmos isso e nos entendermos melhor ainda.


Cacá Diegues vem ao "Espaço Suburbano Convicto" exibir o DOC. gravado paralelo ao filme "5X Favela - Agora Por Nós Mesmos" e fazer um debate.
Jovens diretores do filme também vem.......

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Entrevista com CACAU AMARAL, um dos diretores do filme "5X Favela - Agora Por Nós Mesmos"....exclusiva para nossos blogs

Conheci o Cacau Amaral, por volta de 2002 no Rio de Janeiro, nos rolê com o pessoal do Movimento Enraizados, ele era integrante do grupo Baixada Brodhers.
Ele venho cantar na primeira edição do meu evento "Favela Toma Conta", na rua da minha casa no Itaim Paulista no ano de 2004.
Depois disso nos encontramos várias vezes, ele sempre leu meus livros e eu acompanhava seus corres e lembro dele se aventurando (ainda bem) pelo audio visual, recebia emails convocando pra filmagens de seus primeiros curtas.
Cacau Amaral é uma pessoa sincera, amiga e daqueles que tem o dom da disposição.
Hoje ele é um dos diretores do premiado "5X Favela - Agora Por Nós Mesmos", em cartaz nos cinemas.
Da um puta orgulho ver o amigo crescer, pra sabermos mais sobre esse momento especial na sua vida, entrevistamos ele com exclusividade para nossos Blog´s....
www.buzo10.blogspot.com
www.buzoentrevista.blogspot.com
www.nossocinemabr.blogspot.com
Por: Alessandro Buzo
Foto: Raoni


Cacau Amaral (a direita), em pré-lançamento do 5X Favela em São Paulo


Alessandro Buzo: Cacau Amaral, te conheci no Hip Hop, no grupo Baixada Brodher, qual sua ligação atual com o movimento ??
Cacau Amaral: Estou produzindo um CD chamado “O cinema é igual o rap”. Nele mostro o paralelo entre as duas faces de minha obra, pois da mesma forma que decidi fazer rap após ouvir “Hip hop cultura de rua”, decidi fazer filmes ao assistir os filmes da cultura “faça você mesmo”.
Fora isso, gravei recentemente a música Tensão, agressão, reconciliação, (http://www.myspace.com/cacauamaral) para o CD do Antizona, com outros 9 MCs cariocas; entre eles Slow, Dudu de Morro Agudo e Mr Boca. Em 5x favela, fiz questão de deixar a marca do hip hop, com vários grafiteiros cariocas nos intervalos das histórias e MV Bill assinando a música tema com Afroreggae.
Antes produzi a Lica, Soul Cris, Bia, Sandra MC e Charlene na música Guerreira que é guerreira nunca gela, do CD Mulheres do hip hop. É muito louco produzir cinco minas do Rio Grande do Sul, Paraná, Ceará, Acre e tal. Fiz um loop, enviei pra elas fazerem a letra e gravarem com o Fábio ACM e MR Zoy. Depois eles me enviaram a capela e mixei em meu estúdio. O Resultado foi muito positivo. Acabei colocando na trilha sonora de meu filme Guerreiras do Brasil.
Também tenho feito muito rap pro cinema. Em 1 Ano e 1 Dia produzi um, além de colocar o Poder Consciente; e em Melhor que um poema produzi 11 raps, um para cada B.Boy que aparece no filme: Jagal, Reis, Gaúcho, e mais um montão.

Buzo: Você e seu grupo cantaram em 2004 no Itaim Paulista, no primeiro FAVELA TOMA CONTA ? O que lembra desse dia ?
Cacau Amaral: Lembro do Ferrez; do Nino Brown e principalmente da Giovana, que acolheu eu e Dmc na casa de seus pais. Mas a maior lição que tive nesse dia foi ver a molecada sentada no meio-fio lendo gibi da turma da Mônica e você falando sobre seu sonho de montar uma livraria. Parece que foi ontem. Tenho tudo isso filmado. Quem sabe a gente monta um documentário com essas imagens.

Buzo: Hoje o evento vai para 23a edição, como vê a importancia da continuidade ?
Cacau Amaral: Tenho muito orgulho de ter participado do primeiro Favela Toma Conta, ainda mais sabendo que ele continua rendendo frutos até hoje. Você é um guerreiro e merece todo sucesso do mundo. Os grupos ganham com isso por terem espaço pra se apresentar, mas quem ganha muito mais ainda é a comunidade, que tem a oportunidade de curtir música popular de verdade. E também de conhecer a literatura, começando cedo com gibis, migrando pros romances e fechando o ciclo, escrevendo.

Buzo: Como e quando teve o primeiro contato com o Audio Visual ?
Cacau Amaral: Quando gravamos o clipe Ataque verbal, em 2002.
Sempre sonhei com esse clipe e ao descobrir que ele custava muito mais do que poderia pagar, resolvemos produzir nós mesmos. Tinha muita gente boa na CUFA ajudando a gente: Miguel, Cacá, Godot, Dido, Dragaud. Esses caras mostraram o que é cinema pra gente. Minha intenção era só gravar o clipe. Não pensava em fazer filmes, mas fui fisgado pela arte. Afinal, o cinema é igual o rap.

Buzo: Qual foi seu primeiro documentário e que ano foi isso ?
Cacau Amaral: 1 Ano e 1 Dia.
É a maior realização de minha vida, depois de 5x favela. Foi logo depois do clipe. Pra produzir o clipe tivemos que estudar e estudar muito. Assistia tudo relacionado ao cinema brasileiro... soviético... Fiquei apaixonado pelos filmes de Vertov. Filmamos a festa de um assentamento e roteirizei o documentário na ilha de edição. Foi um dia de filmagem e oito meses de edição, porque não sacava nada do assunto. A única experiência havia sido o clipe. Aí o Rafael Dragaud me ensinou a fazer roteiro clássico pra ficção. Dividi todo material filmado em 12 passos, de acordo com o livro “O herói de mil faces”. Era o que tinha em mãos. Foi só pra mostrar pros amigos, mas acabei ganhando três prêmios: o primeiro na Mostra do Filme Livre, no Rio; o segundo no Festival da Unioeste, Paraná e por fim um prêmio internacional, na Mostra de Jovens Realizadores do Mercosul. Tenho muito orgulho desse filme. Hoje tive mais uma resposta positiva pra ele. Resisti durante cinco anos à mutilação de 1 Ano e 1 Dia, mas agora que o youtube aceita filme de 15 minutos, pude disponibilizá-lo na íntegra. Fiquei muito feliz, pois 12 horas após levantar o filme, mais de cem pessoas já haviam azssistido. O link é: http://www.youtube.com/user/cacaubaixada#p/a/u/1/_RtZU_Ig70A

Buzo: Imaginava chegar onde chegou ? Ter a visibilidade que o 5X Favela te deu agora ?
Cacau Amaral: Imaginava e imagino muito mais. Tenho o maior prazer em falar isso sem nenhuma arrogância, porque 5x favela é fruto de um trabalho longo, meu e de um montão de gente que nunca desistiu. Mas sei que esse não é o fim da linha. Muitos e muitos filmes virão. Temos muitas histórias pra contar ainda. Muitas histórias.

Buzo: Você assistiu meu filme "Profissão MC", o que achou dele ?
Cacau Amaral: Achei uma puta iniciativa. O mercado cinematográfico é restrito e isso não é exclusividade do Brasil. Tanto eu como você poderíamos cruzar os braços e colocar a culpa nos governos ou em outros cineastas, mas o mais coerente é correr atrás do prejuízo. Fazer um filme não é tarefa fácil pra ninguém, na periferia ou fora dela.
Profissão MC é mais uma obra de guerrilha, uma referência pra uma porrada de gente que poderá falar: Alessandro Buzo é um cineasta com a minha cara. Ele se veste igual a mim, tem os mesmos costumes que eu. Se ele pode eu também posso.

Buzo: Filmes nacionais que marcaram sua vida ?
Cacau Amaral: O mundo mágico dos trapalhões, Gangazumba, Carolina, Manual prático pra atropelar cachorro, Pixote, Durval discos, A ópera do malandro, O pagador de promessas, Cidade de Deus, Compasso de espera, O invasor, À meia-noite levarei sua alma, Os saltimbancos trapalhões.

Buzo: Baixada Fluminense ?
Cacau Amaral: Periferia é Periferia em qualquer lugar

Buzo: Periferia, existe um BOOM cultural, como vê a cena da cultura na periferia e o que destaca ?
Cacau Amaral: Há muito tempo as pessoas mais visionárias já perceberam que caminhamos para um futuro onde a única alternativa de sobrevivência será a tolerância. O passado nos mostrou que todo extremismo leva a consequências desastrosas. A hegemonia da cultura centralizada não tem trazido benefícios para as pessoas e por mais que certas mentes preconceituosas resistam em aceitar, a periferia aprendeu a viver em harmonia entre si. A falta de uma porrada de coisas que temos direito nos fez entender que a solidariedade não é apenas uma virtude, mas uma arma. Sem ela nunca teríamos chegado onde chegamos. Agora é a hora de dividirmos nosso conhecimento com nossos vizinhos do centro.
Dentro desse contexto destaco o hip hop que nunca se calou diante das atrocidades impostas à periferia. Se hoje o cinema colhe frutos desse boom, é porque vários malucos perderam noites e mais noites de sono difundindo essa cultura, primeira dentro da própria periferia e agora fora dela.

Buzo: Qual o seu proximo projeto no cinema ?
Cacau Amaral: Estou terminando um roteiro para o próximo longa. Quero contar muitas histórias sobre nosso país. Tem muita coisa que vemos e vivemos dentro e fora da periferia. Ela é um retrato 3 por 4 do Brasil.
Mas agora estou 100% dedicado a 5x favela. Tivemos a primeira consagração com a conclusão do filme, depois com a crítica – que adorou a obra. Agora é a vez da consumação com a presença do público nas salas e garantia de que virão muitos outros filmes. O público é a figura mais importante nessa história, pois fazemos o filme pra ele.

Buzo: Um ator brasileiro ?
Cacau Amaral: Lázaro Ramos.

Uma atríz, também brasileira ?
Cacau Amaral: Roberta Rodrigues.

Um diretor ?
Cacau Amaral: Cadu Barcelos. Fiquei muito impressionado com sua história no 5x.

Como foi ganhar prêmio com o 5X Favela, como foi o momento ?
Cacau Amaral: Estava sentado com o elenco assistindo a cerimônia de premiação quando anunciaram o primeiro prêmio de 5x favela, “Melhor filme pelo juri popular”. Fiquei doido. Corri pulando pro palco pra receber a estatueta e fizemos um discurso inflamado, como se fosse o último de nossas vidas. Sentei feliz páca e enquanto ainda me ajeitava no lugar, anuncia-se o segundo prêmio, “Melhor trilha sonora”. Depois foram o de “Melhor montagem”, “Melhor roteiro”, “Atriz coadjuvante”, “Ator coadjuvante” e o prêmio maior do festival: “Melhor filme pelo júri oficial”. Foi muito maneiro. Ficamos cansados de sentar e levantar sete vezes.

Buzo: Lançar comercialmente o filme, como tem sido as exibições de Pré-Estréia ?
Cacau Amaral: Antes mesmo de lançarmos o filme fomos selecionados para o festival de Cannes. Estava com muito medo da crítica daquele país, pois fizemos o filme pensando em nós mesmos. Não fazíamos ideia se nossas piadas funcionariam fora do Brasil, mas pra nossa surpresa fomos aplaudidos de pé por dez minutos.
No Brasil começamos com duas prés em São Paulo, ambas lotadas. A primeira com debate, onde percebemos que o púbico gostou muito do filme. Esse termômetro foi imprescindível para vermos que estávamos no caminho certo. Todos entenderam nossa mensagem. Depois foi a vez do Rio. Cinema igualmente lotado. De lá pra cá fizemos vários debates, no Cinecufa, Em O Globo, um só para professores. A cada bate papo sentimos mais e mais a sensação que fizemos um bom trabalho.

Um sonho ?
Cacau Amaral: Tenho muitos. Continuar fazendo filmes, lançar um novo disco de rap e contribuir com a educação cinematográfica do Brasil.

Buzo: Quem é CACAU AMARAL no dia a dia ?
Cacau Amaral: Prefiro deixar meus filmes falarem por mim.

Buzo: Considerações finais ?
Cacau Amaral: A melhor parte disso tudo é saber que minha obra a cada dia se aproxima mais e mais do que me propus a fazer desde o início. Seja no cinema, na TV, no teatro ou na música; o que mais importa pra mim é o conteúdo. E sempre que puder dar entrevistas pra meus irmãos e eles perceberem que contribuí pra que o Brasil fosse um país melhor para se viver, terá valido a pena.

* Se reproduzir, favor citar os créditos.


DMC e Cacau Amaral (formavam o Baixada Brothers), na cozinha da minha casa em 2004, no dia da primeira edição do evento "Favela Toma Conta" que acontecia no momento da foto, em frente da minha casa.
Foto: Arquivo

www.buzo.com.br

domingo, 22 de agosto de 2010

Anota ai nossos endereços e contatos.....Espaço Suburbano do Itaim Pta e Livraria Suburbano do Bixiga..

www.buzo.com.br

Um é comercial, mas realiza eventos para ser também cultural, na Livraria Suburbano Convicto do Bixiga, acontece o "Encontro com o Autor", "Suburbano em Debate" e a "Tarde de Autografos", além do SARAU SUBURBANO.
Na Livraria Suburbano Convicto você pode comprar livros (Especializada em Literatura Marginal), Cds, DVDs, Roupas, tomar uma cerveja, um refri.
Não deixe de visitar a livraria que mais agita eventos na cidade.
* A 10 minutos de pé do Metrô Anhangabaú
Rua 13 de Maio, 70 - 2o andar - Bela Vista - São Paulo - SP CEP: 01327-000
www.livrariasuburbanoconvicto.blogspot.com
suburbanoconvicto@hotmail.com
(11) 2569-9151

Nosso outro espaço é 100% cultural, aqui não vendemos nada, é tudo gratís pra nossa comunidade (Itaim Paulista) e região ...
O "Espaço Suburbano Convicto" ocupou as dependências da Casa de Cultura do Itaim Paulista, com apoio do Centro Cultural da Espanha.
Trouxe pra somar com o aque já rola na Casa......Uma biblioteca, sarau, cinema e 8 oficinas culturais.
Tudo 100% Gratís.
* A 10 minutos da Estação Itaim Paulista de trem da CPTM
Rua Barão de Alagoas, 340 - Itaim Paulista
São Paulo - SP
suburbanoconvicto@hotmail.com
www.buzo10.blogspot.com
(11) 2568-3329 ramal 26


* Tanto a Livraria, quanto o projeto do "Espaço" são idealizados pelo escritor e cineasta "Alessandro Buzo". E realizado pela Suburbano Convicto Produções.
(11) 2569-9151 (11) 8218-7512
suburbanoconvicto@hotmail.com

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Entrevista com arte educadores do Espaço Suburbano Convicto, com vcs CACAU RAS

Alessandro Buzo inicia uma série de 8 entrevista com os arte educadores que estão trabalhando no "Espaço Suburbano Convicto" na Casa de Cultura do Itaim Paulista.
Pra começar um nascido e criado no bairro, que se formou e luta pelo coletivo, por uma quebrada melhor.
Saiba mais sobre o CACAU RAS


Cacau Ras durante sua oficina de Multi mídia

Alessandro Buzo: Quem é o Cacau Ras no dia a dia ?
Cacau Ras: Um cara tranquilo e parceiro pois acho que só assim podemos conseguir muitas coisas para nossa vida de um modo geral, trabalhando em conjunto ,

Desde quando mora no Itaim Pta ?
Cacau Ras: Nasci no Itaim Paulista e moro a 32 anos , só sai do bairro por problemas de saúde em 1998,por 1 ano mas minha casa é aqui.

O que você acha da cena cultural do seu bairro ?
Cacau Ras: A Cena cultural existe porém ainda não é forte, mas com grandes tendências ao crescimento, pois temos grandes idealizadores correndo junto pelo bairro neste momento

No que o "Espaço Suburbano Convicto" ajuda a fazer essa cena crescer ?
Cacau Ras: O Espaço ajuda pois é acolhedor, não se restringindo a algum estilo ou formação de ideias, lá todas as tribos são aceitas com isso gerando um intercambio cultural e diversificado, o Espaço funciona como um centro de convivência quando falo dos grandes idealizadores me refiro também ao espaço Suburbano Convicto.

Fale da sua oficina no "Espaço" ?
Cacau Ras: Bem minha Oficina Visa direcionar o uso das redes sociais como facebook, blogs,orkut,msn, Youube em prol da comunidade pelos adolescentes, aprendendo a usar as ferramentas digitais e equipamentos do uso diário comum como MP5 câmeras fotográficas etc...
São orientados como fazer o melhor uso e reconhecer os recursos que até então não havia sido explorado, com foco na Produção Hiperlocal ou seja de quem ta dentro, seja no aspecto político ,jornalístico ,Cultural e social, além disso aprendem a linguagem de Radio e Televisão nos 4 meses de Oficina para poder gerar conteúdo e postar nestas redes de relacionamentos sociais , fazendo com que a grande mídia se atente para o que temos na nossa região

Você é formado ? Em que ?
Cacau Ras: Sim sou Formado : Graduado em Radio e Televisão, Correspondente de Jornalismo hiperlocal pela Internacional Center for Journalists ( ICFJ )por MURALBRASIL atualmente cursando Pós Graduação em Cinema pelo Centro Brasileiro de Estudos da América Latina ( CBEAL).

Como você nascido e criado no Itaim Pta conseguiu se formar ?
Cacau Ras: Realmente não foi facil primeiro fiz escola Técnica Gratuita no Filomena Matarazzo, trabalhava olhando os carros da própria escola para poder pagar os custos com os estagios e compra de roupas brancas , mas me lembro que minha primeira peça de roupa branca foi doada por um brother o Junior ex- borboletinha do extinto programa da Mara Maravilha, muita dificuldadepassei neste epóca morte da minha mãe etc.. dai fiquei na Enfermagem por 9 anos, nesse meio tempo entrei na faculdade ,mas achei que faltando um ano para me formar teria de desistir , então vendi um carro velho que eu tinha e consegui concluir

Comente sua participação no filme "Profissão MC" ?
Cacau Ras: Minha participação acho que foi muito especial não no sentido de produção etc... mas sim na mensagem e na importância que meu personagem tem no Filme Resgatando o Protagonista Criolo Doido do mundo do Crime e dando oportunidade atráves da arte ,Especial para mim pois é minha realidade só a Arte e a Cultura resgata , sou muito grato a Alessandro Buzo

Qual seus endereços pessoais na internet ? twitter@cacauras
cacauras.multiply.com
miscigenamundi.blogspot.com
myspace.com/cacaurass
facebook.com/cacauras


3 destaques culturais do Itaim Paulista, não vale o entrevistador (Alessandro Buzo) ?
Dil Arts grafiteiro de primeira
Beto Guilherme músico
Julio Vibes (Tchapo) músico


Considerações finais ?
Cacau Ras: Transmitir o conhecimento para sua comunidade é algo ´primordial ,melhorar o seu entorno , gerando políticas locais e de valorização ,portanto se cada um de nós usarmos a internet e as ferramentas que temos que globalização nos permitiu podemos mudar tudo ao nosso redor ,
Não tenho pretensão de mudar o mundo,mas ajudar o meu mundo a minha comunidade as pessoas como eu,pobres simples, marginais,mas com a melhor das intenções e disposição pra dar e vender .Faça algo positivo pelo seu povo, para o seu povo.


Cacau Ras (primeiro da esquerda)

CONTATO: cacauras@gmail.com

sábado, 14 de agosto de 2010

Espaço Suburbano Convicto traz cultura ao Itaim Paulista

A (R)Evolução está apenas começando....Itaim Paulista, NÓIS Q TA !!!!



* Clique na imagem para ampliar.....

* VEM AI.............Entrevista com os arte educadores do "Espaço Suburbano Convicto"

terça-feira, 20 de julho de 2010

Entrevista com o grupo "Ordem Própria"



Alessandro Buzo: Falem do CD ?
Ordem Própria: BOM IRMÃOS E IRMÃS QUE AQUI PASSAREM, O CD FORA UMA GRANDE REALIZAÇÃO PARA A FAMÍLIA ORDEM PRÓPRIA É NO NOSSO PENSAMENTO MAIS UM ARMAMENTO EM PROL DO POVO OPRIMIDO DAS PERÍFERIAS DO NOSSO BRASIL UM DISCO QUE TRAZ COMO TITÚLO " JOGARAM PEDRAS JUNTEI E FIZ CASTELO" É UM TITÚLO APOLÓGICO A SUPERAÇÃO AO RESGATE E A BUSCA DE MELHORIA NUM PENSAMENTO COLETIVO DE AUTO AJUDA.
PESADO SEM ESCONDER SUAS RAIZES TRAZ UMA PROPOSTA SÉRIA DENTRO DE UM HIP HOP QUE AS VEZES POR PRECONCEITO OU DETALHE PARECIDO ESCONDE A SUA ESSÊNCIA QUE NÃO É O CASO DO ORDEM PRÓPRIA QUE RESGATA BATE DE FRENTE FAZ O INSENTIVO A PERSPECTIVA SÁDIA DO SER HUMANO POREM NÃO ALISA NÃO DISFARÇA E NEM PEDE PAZ COM FUZIL NA MÃO O CERTO É CORRER PELO CERTO E JA É UM BOM COMEÇO PARA SE TORNAR UM ORDEM PRÓPRIA DA VIDA SEJA ARRROGANTE COM OS ARROGANTES!!!! NÃO ABIAXE A CABEÇA PRA NINGUEM SALVEE O MUNDO SALVANDO PRIMEIRO VC E TENHA BOAS ATITUDES ESSE TRAMPO TEM AS PARTICIPAÇÕES DE:
DOUGLAS REALIDADE CRUEL
NDEE NALDINHO
MOISÉIS A286
LIAH SOUL
JAMES PARAIZO GANGSTA
BOLA 8
SMITH
ERICK 12

Buzo: De onde vem o "Ordem Própria" ?
O.P: O ORDEM PRÓPRIA É UM GRUPO DE ORIGEM DA CIDADE DE SÃO BERNARDO DO CAMPO ABC PAULISTA NASCIDO NA PERIFERIA DO JARDIM FARINA NO COMEÇO DE 1997

Buzo: Eventos de quebrada, o rap ainda tem força ?
O.P: MANO A FORÇA DO RAP TA NOS EVENTOS DENTRO DAS QUEBRADAS PQ NEM SEMPRE O PÚBLICO DO RAP TEM COMO SE DESCENTRALIZAR PRA TER QUE CURTIR UM EVENTO NO CENTRO DA CIDADE NEM CURTIR UM BAILE SHOW NUMA CASA FECHADA POR CONSEQUÊNCIA DOS VENENOS E POR NÃO TER TANTA FONTE DE COMUNICAÇÃO TIPO COLA NA GALERIA NA INTERNET E ETC..
O RAP TEM FORÇA E A FAVELA TOMA CONTA BUZZO PODE ACREDITAR MANO ......

Buzo: Festas em casas noturnas de playboys, é a solução, vale a pena ?
O.P: TIO VEJO TUDO NUMA QUESTÃO RELATIVA TIPO ASSIM ... O RAP NUNCA PRECISOU DAS CASAS E DOS PLAYBOYS PARA SE TORNAR O RAP NEM ELES ... CERTO ? ENTÃO DEPENDE DA PROPOSTA E DO QUE O GRUPO ESCREVE E OUE OS CARA E AS MINAS LÁ QUEREM OUVIR... OS CARA ALEGA QUE OS BOYS SÃO CONSUMIDORES DO RAP SERA ? OU SÃO DOS BUMBOS, DAS BASES, DOS PANOS E DO NYPE DE CANTAR DOS GRINGOS ? RTOPA JEITO DE ANDARR NÃO MOSTRA RAPPER NENHUM EM VC.... BOY MANO NA MAIOR PARTE DAS VEZES É AQUELE QUE NÃO SE OFENDE AO SER CHAMADO DE BOY E ENTÃO ESSE NÃO GOSTA DE RAP NEM DOS PRETOS MUITO MENOS DOS POBRES, AONDE QUE UM CARA DESSE SE IDENTIFICA COM NÓIZ??? ONDE ELE VAI PAGA UM ENGRESSO PRA VER RUPO DE RAP NACIONAL?? ? ANÃO SER SE O CARA QUE CANTA RAP MUDA DE IDÉIA E FALA QUE É MÚSICO ENTENDEU ?? AGORA QUANDO VC CORRE ALCANÇA PLANTA E COLHE DEIXA FALA .....ESSE NÃO É BOY ESSE É CORRERIA E VAI COLA NO BAILE QUE AGRADA ELE E VAI COMPRA UM CD DE RAP DE RAIZ PROTESTO PREOCUPADO COM A IDÉIA E NÃO COM AS INSTRUMENTAIS CERTO O RAP NÃO TEM LIMITES BARREIRAS E FRONTEIRAS SEMPRE DEVE SER RESPEITADO NÃO DARIA CERTO A PARIZ HILTOM O JUSTIM BIBIER SOUJA ÓY QUERE COLA NO CAPÃO OU NUMA FAVELA AQUI EM SBC PAGANDO DE HUMILDE....
DENTRO DO RAP TEM BOY QUE QUER SER FAVELADO E FILMA NOSSA SITUAÇÃO PRA FAZER LETRA E FAZE SUCESSO USANDO NÓIZ COMO TEMA E TEM FAVELADO QUE QUER SER BOY E MORRE DE FOME MAS O TENIS O CELULAR A LUPA A BOMBETA E A GRIFE TEM QUE SER AS MAIS LOKAS.........

Buzo: Hip Hop salva ?
O.P: MANO PASSEI DOS 28 PRETENDO CHEGA AOS 90 E AGRADEÇO A MINHA MÚSICA POPULAR DA PERIFERIA QUE TOCA NOS AUTO FALANTES DOS BARRRACOS RESGATA INFORMA EDUCA E FORMA QUANDO O SOCIÓLOGO APRESENTADOR POLITICO TAXAR COMO APOLOGIA AO CRIME OS MENORES DE 19, 19 E 20 VÃO MUDA SUAS OPÇÕES MÚSICAIS QUANDO A RESPONSA BATE NA PORTA E FALA AE E AGORA ? CORREU ATRAZ DE MIN AQUI ESTOU..... APOLOGIA AO CRIME É ROUBAR NAS IGREJAS E FALA QUE O CLUBE DE JESUS ESTA PERTO DA FALENÇIA É DEMORA SEIS MESES NUMA INVESTIGAÇÃO ATRAZ DE PEDÓFELO IMAGINA QUANTOS ORGAMOS EM MENORES NÃO TEM EM 6 MESES?? É AS MAQUINAS D CAÇA NIQUEL DO GOVERNO VOMITANDO MULTAS É O SISTEMA O DISCASO NA SAUDE É ISSO MANO EU SOU O CRIME DO RACICINIO E SEMPRE ATACANDO OS SÁBIOS PQ SOMOS 13

Buzo: Como vê a relação mídia x Hip Hop ?
O.P: MANO ACREDITAMOS EM VEICÚLOS DE COMUNICAÇÃO COMPROMISSADOS COM A ÉTICA E O RESPEITO AO GRUPO É IMPORTANTE SIM !! POREM ATÉ AONDE E ONDE VEICULAR AÚDIO IMAGEM E EDIÇÃO ENTENDEU O RAP TEM QUE SER PRIOFISSIONAL PQ NÃO SE RESPONDE UMA PERGUNTA QUE NÃO FOI VISTA ANTES CERTO MANO...E QUANDO VC É CARA LIMPA NÃO SE PREOCUPA COM AS INDAGAÇÕES QUE VIRAM...
ENTÃO BUZZO TEM OS LOCAIS E AS PESSOAS CERTAS PODE REPARAR AONDE TEM UZ CARA NA TV PARECE QUE JA DIVIDE HIP HOP X RAP IMAGINA NÓIZ X MÍDIA ENTÃO SERIA MAIS TRETA AINDA ... PARECE QUA FALTA OPÇÃO SEMPRE OS MESMO E O POVO ACHA QUE SÓ EXISTE AQUELES ALI E PQ NÃO NOVAS OPÇÕES EM PROGRAMAS QUE RESPEITAM ESSE COMPROMISSO.... CULTURA MTV MIX ETC...

Buzo: MV Bill em propaganda da Nextel, é o caminho pra estar na TV, cartaz em jornais, lojas de shopping ?
O.P: NÃO MANO PQ ALI É MERCHANDAISE COMERCIAL DE UMA OPERADORA TELEFÔNICA VIA RÁDIO QUE SÓ INSETIVA O CONSUMISMO E MAIS NADA QUE OS CARA AGREGA UM CARA QUE É CONHECIDO TANTO PRA ALTA CLASSE QUANTO OS POBRES O ÚNICO DETALHE QUE SE O PODRE SE IDENTIFICA COM O COMERCIAL E QUERER UM DAQUELE TEM QUE MOVIMENTA EM 3 MESES 2.500 NA CONTA CORRENTE E PAGA NO MÍNIMO R$100 POR MES E AE ??? QUER TA NA TELEVISÃO SEJA MALIAVEL E NEGOCIADOR DEPENDE DA OPINIÃO DE CADA UM E VER QUE NÃO É NEHUM ALEGRE QUE TA PAGANDO DE PÁ LÁ NÉ E AS REFERÊNCIAS NÃO DEIXARAM DE SER REFERÊNCIAS QUANDO FAZER COMERCIAL MAIS SIM QUANDO PERDER TOTALMENTE A IDEOLOGIA QUEM TA AQUI TEM SEUS MOTIVOS QUEM NÃO TA TEM TBM OU NÃO FOI CONVIDADE É ISSOO....

Buzo: O filme "Antonia", representou o Rap Nacional ?
O.P: BOM MANO CREIO QUE SIM NÃO ACOMPANHEI MUITO MAS ACHEI LEGAL A INICIATIVA DA DIRETORA QUE DE UMA FORMA OU OUTRA QUIZ MOSTRA NOSSO COTIDIANO CONTANDO A HISTÓRIA DE UMAS MINAS QUE SÃO DE ORIGEM PERIFÉRICA NÃO MUDA MUITO PRA CENTENAS DE GRUPOS DE RAP NAS QUEBRADAS A SERIE BRECO, E OS GRUPOS ESTÃO AQUI NO MESMO VENENO NÃO QUE O FILME IA LANÇA TODO MUNDO É QUE OS MULEQUES QUE SE VER NA RUA E NA TELA REPRESENTADO POR VARIUS DELES..... VAI TER QUE TER FILME EM ........ O BOM QUE NÃO SE LIMITA SÓ NO FUTEBOL E NA MÚSICA MAS EXISTEM GRANDES MONSTROS QUE PODEM SER ADVOGADOS MÉDICOS E ETC.....

Buzo: Prêmio Hip Hop do MINC, o que acham de editais como esse que vai distribuir R$ 1.700.000,00 entre o Hip Hop ?
O.P: PO TIO BUROCRATICO RECEBI UM DOSSIE DE UM QUE ME PERDI NO QUE TAVA ESCRITO MANO MUINTA INFORMAÇÃO PALAVRA BONITA DE MAIS NÃO QUE TEM QUE VIR NA GIRIA É QUEM TA FALANDO DE UMA LINGUAGEM POPULAR MANO COM MAIS OPÇÃO DE ENTEDIMENTO NÃO ME VEJO SENDO CONTEMPLADO COM UMA PARTE DO BOLO ACHO DE LONGE ALCANCE PRA MIN E QUEM ANALISA ? QUEM DISTRIUBUI ? É PRA VELHA ESCOLA ? É PRO INSENTIVO ? É DE QUEM TENDEU ? É ISSO AE BUZZO

Buzo: O que acham da única Revista que tinhamos de RAP, ter acabado (RAP Brasil) ?O.P: ENGRAÇADO NO FINAL MANO DA REVISTA SAI NA RAP NEWS E NÃO SAI NA RAP BRASIL E NEM NA CULTURA HIP HOP QUE VIROU DEPOIS ACHAVA UM PUATA DE UM VEICULO EM NOSSO NOME CONHECIA GRUPOS NOVOS OBSERVAVA MATÉRIAS FALAS DOS CARA QUE JA TÃO POR AE A UNS DIAS NOVAS OPINIÕES APRENDIA A DISCORDA DE UMAS IDÉIAS DE UNS GRUPO E ACEITA OUTRAS ERA LOKO ESPERO UMA NOVA INICIATIVA ASSIM QUEM SABE EM BREVE E QUE OS SITES OS BLOGS O BOLETIM DO KAUS AS RADIOS SE MANTENHAM FIRMES SEMPRE...

Buzo: Manos e Minas traz o Rap na TV Cultura, assistem ? Gostam do programa ?
O.P: BOM DAQUELES QUE SAI PRA RUA NÉ BUZZO ? LOKOOOO DA HORA TEM QUI DAR MAIS UNS ROLES AQUI NAS RUAS DO ABC E NA HORA DOS SALVES NAS QUEBRADAS NOS SHOWS NOS PALCOS NA RUA QUE TEM TBM O ABC O LITORAL E O INTERIOR DA MESMA FORMA QUE ZONA SUL LESTE OESTE E NORTE É DESSE JEITO BUZZO

Buzo: Prêmios como o Hutúz, são válidos ?
O.P: SIM MANO INSENTIVAM OBRIGAM OS GRUPOS A FAZEREM SEUS CORRES E CAMPANHAS TUDO QUE É JUSTO NÃO É INDICADO NÃO TEM PANELA E RESPEITA REALMENTE O QUE É CORRE DA HORA DAR NOMES AOS PREMIOS DE PESSOAS QUE ATUARAM NA CENA SABOTAGE PRETO GOEZ GILMAR E HOMENAGIAR OS QUE ESTÃO ENTRE NÓIZ TBM

Buzo: Um salve pra quem vai ler essa entrevista ?
O.P: MANO GRANDE SALVEE A VC PELA ATENÇÃO E QUE FIQUE AQUI NOSSO RESPEITO MANO GRANDE POETA DA PERIFERIA ALESSANDRO BUZZO A TODOS QUE PRESTIGIAM APOIAM E TÃO COM ESSA MISSÃO ORDEM PRÓPRIA SEMPREE PERCEIROS E PARCEIRAS ESSE CORRE LOKO QUE MANTEM VIVO UM RAP QUE NUNCA VAI MORRE TAMU JUNTO NA MESMA PROPOSTA .... PAZ SAÚDE E PROGRESSO
DANIEL ORDEM PRÓPRIA...........

quarta-feira, 14 de julho de 2010

RAP & GOL



Confirmado presença de.......
Alessandro Buzo, Naldinho - Markão - Max(DMN),
Snake - Paulo - ( preto do gueto )
Cleber - feijão - f jay ( Ao Cubo )
Marcos - japão ( Viela 17 )
Pudim - Gordinho - bso -romario ( Primeiro Ato )
Jucka - renan - rodrigo - pop black, ( Inquerito )
Dj nelson , dj RM, Dj Cia , Dj Bola 8 - Cezinha - paul - dimenó - Heltão , Max B.O - Dj Raffa - Glauber - Alisson e Brunão ( Conecta Drama )- Carlão - Criolo Doido - função e Lucinao ( di Função )- Thig ( Relatos da Invasão ), shekinah rap, Dj Loo

domingo, 11 de julho de 2010

Entrevista com Juninho 13 do CICAS

Estamos reproduzindo essa entrevista com o JUNINHO 13 do CICAS, espaço cultural que anda passando por problemas parecidos com o que rolou no ESPAÇO MALOCA do Parque Bristol, nunca fui ao CICAS mas ouço falar bastante das atividades e republico essa entrevista feita pelo Anderson da Silva Lima , numa forma de apoiar...........

Entrevistando CICAS



Luiz Carlos Sendro Junior conhecido com Juninho 13, nascido e 20 de agostos de 1983, com 26 anos hoje. É um dos protagonistas do espaço CICAS que realiza atividade sócio-cultural na região de vila Guilherme, que reuni os maluco de todos região de São Paulo com o mesmo fins de fazer e construir um sociedade alternativa com livre expressão.

Qual e a sua profissão?Qual e a sua formação?
R: Anderson, após a minha formação no ensino médio, técnico em administração, eu ainda me formei em Técnico em Radiologia médica e iniciei a faculdade de Designer, a qual não tive a possibilidade de custear e acabei abandonando e adotando na prática uma serie de ações que não deixaram de ser escola para mim.
O que é o CICAS? Quanto tempo o Espaço existe? Onde esta localizado?
R: o CICAS, é o Centro Independente de Cultura Alternativa e Social, teve inicio em 18 de março de 2007 e está localizado no bairro Jardim Julieta, bem próximo ao Terminal de Cargas Fernão Dias

O que este espaço realiza? Quais são a suas atividade?
R: O Objetivo maior do CICAS é proporcionar o acesso a cultura e seus equipamentos, inclusive tecnológicos, proporcionando opções de formação, entretenimento e interação, educativa e social gratuita para a comunidade local e convidados de diferentes regiões.
O CICAS é um espaço multicultural, e tem na diversidade o seu maior atrativo, com biblioteca dispondo um acervo independente especial, Estúdio de gravação e ensaio, Palco para Shows e espetáculos de dança e Teatro, Cinema, Oficinas Ambientais, de Dança do Ventre, Capoeira, Iniciação Musical, Bateria, Desenho infantil com acompanhamento psicológico, Desenho p/ Adultos, Artesanato, Inglês para Adultos, Teatro de rua, Basquete de Rua, Saraus, sem contar os Festivais e atividades Itinerantes, tudo acompanhado do já tradicional Almoço Comunitário grátis.

Qual a sua Função na Iniciativa? Quantas pessoas atuam diretamente?
R: Estou na iniciativa desde sua fundação e planejamento, exerço papel de Gestor da iniciativa, com serviços principalmente voltados a comunicação e desenvolvimento do projeto, como por exemplo criação e manutenção de site, criação de projetos e de divulgação, captação de recursos, entre outras responsabilidades, que são discutidas e dividas por todo um grupo que compõe Gestão.
Nesse grupo, que aumenta e diminui sempre, devido a todos os envolvidos trabalharem em caráter voluntario, consolidamos um núcleo principal, que hoje conta com 15 pessoas ao todo, na maioria delas moradores da comunidade e membros da associação Cultural Sinfonia de Cães

Qual é objetivo, meta, missões e visão do CICAS?
R: O CICAS tem como meta a Transformação através da mobilização e conscientização cultural e comunitária, incentivando as pessoas participarem ativamente das decisões e atividades realizadas, desvinculando-se da cultura do medo e do paternalismo público, que não apenas aqui, atrasa e diminui vários bairros periféricos.

O que o CICAS pensa sobre as atividades socioculturais desenvolvida hoje? Dê Exemplo?
R: Podemos hoje afirmar, que o papel sociocultural do CICAS está diretamente ligado a necessidade de provarmos que a ação coletiva e organizada é real e funciona, no nosso caso, além dos princípios culturais e produtivos que norteiam a ação, o papel social da iniciativa foi agregando-se naturalmente ao longo do projeto, de acordo com a necessidade da própria comunidade. Mas somos artistas, e através da arte é que improvisamos suprir paralelamente muitas dessas necessidades, que na realidade é função e dever do Estado. o exemplo principal que tenho a citar é o nosso Almoço Comunitário, que foi implantado após observação de que as crianças participantes, passavam o dia todo conosco, sem retornar a casa nos horários das refeições e que nem ao menos eram procurados por seus pais ou responsáveis.
Quem é o publico do CICAS?
R: O público do CICAS é principalmente o artista em formação, sem discriminação de estilo ou idade

A comunidade entende a proposta do CICAS?
R: Sim certamente, a grande Maioria respeita, admiram, participa e colabora, embora já tenhamos recebidos algumas reclamações (por barulho) em dias de Festa, o que é compreensível, pois o CICAS é cercado por um Conj. habitacional com mais 1200 apartamentos, onde cerca de 10% da população é idosa, mas nada que já tenha nos causado algum problema maior. Outras pessoas também se mostram indiferentes, o que não é novidade para muitos nos dias de hoje, alienados pela cultura massiva e popular da publicidade e da televisão, alguns confundem a proposta, e em atitudes por muitas vezes preconceituosas, fazem um pré- julgamento negativo da iniciativa, baseados no visual dos jovens que freqüentam o espaço e até mesmo pelas condições de saneamento e limpeza de algumas crianças

Existe parceria entre outros grupos? E no que eles somam?
R: o CICAS é movido através da ação independente de cada pessoa ou grupo proponente de atividade ou evento, diversas parcerias já foram firmadas nesses últimos três anos de trabalho, com destaque a Associação Cultural Sinfonia de Cães e o Núcleo Pavanelli de Teatro de Rua e Circo, que realizam um trabalho fixo no espaço, e outros que promovem intercambio de atividades como Povo Brasileiro, Sarau da Brasa, Literatura Suburbana, Projeto Espremedor, Quilombaque, Esperança Garcia, Desalienarte, Poesia Maloqueirista, Quilombo Hi-fi, Associação de Gestores Ambientais e uma infinidade de outros coletivos e ativistas culturais... cada um exercendo papel fundamental na construção e manutenção do espaço.

Houver um processo de intervenção do poder publico no CICAS? Por que rolou isto? E como esta indo as conversa com eles?
R: Sim aconteceu, desde o inicio da ação em 2007, quando encontramos em abandono total a área, procuramos informações sobre a responsabilidade fiscal do terreno, e por diversas vezes fomos ludibriados ou nem menos atendidos formalmente. A sub de Vila Maria/Guilherme jamais assumiu a responsabilidade do terreno, nos encaminhando para outros órgãos como COHAB e EMURB, que também não assumiam responsabilidade. Até que então foi firmado, em ata registrada, um acordo de comodato entre a iniciativa e os moradores da COHAB, através de voto de seus representantes e síndicos. Em 11/06/10 a Sub, representada por seu coordenador de obras, nos notificou verbalmente que deveríamos sair do espaço, que o mesmo seria demolido pela prefeitura, alegando ele, estarmos ocupando ilicitamente o local. no dia seguinte, os mesmo funcionários, acompanhados pela policia militar e guarda civil metropolitana, rendeu a mim e outros artistas no local, retirando de qualquer maneira, e sem nenhum tipo de documento ou notificação em papel, todo nosso patrimônio do espaço, inclusive as panelas cheias e quentes de comida, os mais de 2000 livros da biblioteca, enfim, tudo...
Mobilizamos a comunidade, a mídia, alguns apoios parlamentares, jurídicos, enfim, tentamos todos os caminhos para reparar esse atentado, e deu resultado... Até mesmo o próprio secretario de Cultura se pronunciou a nosso favor, e com isso conseguimos um primeiro dialogo. Apresentamos então nossa proposta de trabalho e defesa e aguardamos uma posição oficial por parte do poder publico, que inicialmente suspendeu a derrubada do espaço para uma possível avaliação da proposta.

Este processo desapropriação do CICAS, como é que vocês vêem e o sentem?
R: Nós todos como pessoas estamos nos sentindo horríveis, não conseguimos comer direito, trabalhar direito, todo mundo carregando uma sensação de opressão no peito, uma espécie de medo de ver tudo que se acredita e que se investiu duramente virar pó, virar nada... uma espécie de peso, que transforma um artista em um boneco qualquer, sem vida e sem graça.
Apesar da programação estar sendo intensificada justamente por causa da situação, na semana do acontecido foi bastante difícil de se articular, de ter forças pra ninguém se entregar, e com o espaço novamente vazio, com grande parte do nosso material danificado na ação da prefeitura, enfim... foi realmente difícil...

Que o CICAS esta fazendo agora?
R: O CICAS continua suas atividades normais, estabelecendo ainda mais a conexão com vários coletivos de ação cultural da cidade, fomentando e fazendo parte de uma rede que pode transformar os rumos e futuro da Cultura, e acreditando é claro, na Permanência e real estruturação do nosso espaço e ferramenta de Produção, que é o CICAS.

Obrigado Juninho 13
Por Anderson Lima
anderson.poetadogueto@gmail.com

sábado, 10 de julho de 2010

A única Livraria do país especializada em Literatura Marginal

Livraria Suburbano Convicto no Bixiga

Rua 13 de Maio, 70 - 2o and
Bixiga - São Paulo - SP
(11) 2569-9151
www.livrariasuburbanoconvicto.blogspot.com
suburbanoconvicto@hotmail.com

Funcionamento: De seg. à sexta, das 10h às 19h
Sábado, das 10h às 14h
* Sujeito a alterações.....na dúvida, ligue (11) 2569-9151

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Um livro para o HIP HOP

Tinha essa idéia na cabeça, fazer um livro sobre Hip Hop, mas como acho que ninguém tem propriedade para "sozinho" escrever um livro sobre esse assunto, afinal ninguém vive "tudo" de Hip Hop.....a mesma pessoa não vive na favela, no serrado, no RIO, em São Paulo, nas festas do boy, nas festas da noite....a mesma pessoa não anda no gospel, não anda no gangsta, enfim....acho que ninguém é completo o suficiente para sozinho, escrever um livro sobre hip hop.
Pensava num livro que desse voz ao hip hop, que pudesse trazer entrevistas com os grandes nomes, no caso os artistas e ainda os militantes, aqueles que ficam nas articulações, não só de um estado, ou dois, mas de todo país.
Ai pensava.....Sabe quando vou conseguir uma editora pra lançar um livro assim ? Muito difícil, as editora não estão nem ai pro Hip Hop e ainda não poderia fazer pra depois procurar editora, afinal as entrevistas iam ficar velhas, desatualizadas.
Por isso tudo, esse projeto ficou só rodando a minha mente por uns dois anos.
Começa 2010 e entro a milhão, afinal esse ano comemoro 10 anos de carreira.
Fui convidado para fazer uma palestra, ou melhor, participar de uma mesa, no Fórum Social Mundial 2010 em Canoas no Rio Grande do Sul, ainda em janeiro, achei bacana o ano começar tão cedo, geralmente só rola coisas assim depois do carnaval.
Na mesa comigo, além do escritor Luiz Rufatto, a editora do meu ultimo livro "Favela Toma Conta" (Aeroplano Editora), ninguém mais e nem menos que Heloisa Buarque de Holanda.
No avião, indo pro Sul, lembrei do projeto do livro sobre Hip Hop e pensei: - Só mesmo a Heloisa Buarque para aceitar fazer, viabilizar o livro dentro da coleção "Tramas Urbanos" que já lançou 12 livros se eu não me engano (PS: Todos disponíveis na Livraria Suburbano Convicto do Bixiga).
Assistimos um debate pela manhã e iamos almoçar, antes da nossa mesa.
Peguei a Heloisa de orelhada, ela a principio disse "NÃO DÁ", ja temos o livro do J Raffa e do DJ TR, sobre o tema.
- Mas o meu projeto é diferente do deles, vou dar voz a várias pessoas, um livro de entrevistas e eu costurando os assuntos de uma para outra.........falei uma hora no ouvido dela.
- Buzo, procura o Ecio Salles e vê o que ele acha, se ele aceitar, a gente faz.
Ecio é um grande amigo, mas ai a ele querer o projeto é outros quinhentos.
Liguei pra ele no dia seguinte e mais uma orelhada depois, ele disse: - Tem que ser pra lançar esse ano, você tem 6 mesês pra escrever.
Comecei, entrevistei várias personalidades do Hip Hop, também militantes, desde o Acre, até Piauí, Bahia e outros estados.
70 pessoas, entrevistei cerca de 70 pessoas e enfim (hoje, 02 de Julho de 2010), com um mês de atrazo no meu prazo, finalizo a obra, envio para editora e ainda esse ano, vamos lançar........
O título: Hip Hop - De Dentro do Movimento
Tudo que você sempre quis saber sobre hip hop e não sabia para quem perguntar.
Perguntamos para......
Entrevistas com Dário (Porte Ilegal-SP), Nelson Triunfo (SP), Alexandre de Maio (SP), Rappin Hood (SP), Markão II (DMN-SP), Thaíde (SP), Cleber (Ao Cubo-SP), Tio Fresh (SP Funk-SP), Toni C (SP), DJ Cia (RZO-SP), Dexter, Crônica Mendes (SP), Douglas (Realidade Cruel-SP), Pregador LUO (SP), Freitas (Radar Urbano-SP), B Dog (Rapevolusom-RJ), DJ Cortecertu (Central Hip Hop – SP), Juliana Penha (de SP, atuamente mora em Portugal), Maria Amélia (SP), Cabal (SP), Jéssica Balbino (MG), Celso Athayde (CUFA-RJ), DJ Fex (Arquivo Negro-PR), Gaspar (Z´Africa Brasil-SP), GOG (DF), Augusto do Hip Hop (Acre), Gil BV (PI), DJ Raffa (DF), Ariel Feitosa (DF), Japão (Viela 17-DF), Nelson Maca (Blackitude-BA), Léo da XIII (RJ), Dudu de Morro Agudo (RJ), Mandrake (Portal Rap Nacional SP- Atuamente SC), DJ Dico (de SP, atuamente mora em Portugal), Zinho Trindade (SP), Fex Bandollero (SP), Grand.E (SP), Mikimba (SP), Aninha (Atitude Feminina-DF), Pathy de Jesus (SP), Re.Fem (RJ), Nina Fideles (DF, atualmente SP), Bonga (SP), Dingos (SP), MC Marechal (RJ), Emicida (SP), Kamau (SP) e Parte Um (SP)..........Ufa !!!!
Não podemos esquecer, depoimentos de Adunias da Luz (SP), Paula Lima (cantora), Fernando Bonassi (escritor e roteirista-SP), Negra Li (cantora-SP), Tubarão (Du Lixo-SP), Tom (Função RHK-SP), Renato Vital (SP), Jefferson Leandro (Tonhão-MG), Zulu Tiquinho (SP), Corvo (Familia Pic Favela-SP), Gordinho (Primeiro Ato-SP), Tio Pac (cineasta da Cidade Tirandentes-SP), Lúcia Tennina (Argentina) e Walter Limonada (SP).

Você não perde por esperar, um livro para quem ama o Hip Hop.
Alessandro Buzo
www.buzo.com.br