segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

10 entrevistas de 10 perguntas com 10 seguidores do Buzo no Facebook. 9/10 > ENTREVISTA EXCLUSIVA COM o rapper carioca "Slow da BF".......

Slow da BF como o nome já diz é da Baixada Fluminense, rimador das antigas e estudioso da cultura Hip Hop.
Nessa entrevista exclusiva, vamos saber um pouco mais da sua caminhada, vamos ?



***

Alessandro Buzo: Quem é o Slow da BF por ele mesmo ?
Slow da BF:
Sou MC e Grafiteiro da cultura Hip Hop.
Poeta. Improvisador. Fomentador. Oficineiro de Slam, Rap e Grafitti.
Sou amante de Vinil.
E repasso 100% do que aprendi. Já fui DJ e B Boy.
Estudioso profundo do Hip Hop. Dedico quase tudo ao Hip Hop.
Resumindo...
Eu sou Hip Hop.


Buzo: Quem é do Hip Hop em SP e se informa pouco, quando pensa no RAP no RIO fala de MV Bill, Marcelo D2 e pouco mais que isso, porque isso acontece ?
Slow da BF:
Do SP que conheço eu ouço as pessoas falando de Esquadrão Zona Norte e Quinto Andar. Sobre as partes e pessoas que não conheço, não sei.


Buzo: Quais os rappers ou grupos do RIO que VC curte ?
Slow da BF:
Principalmente os da antiga :
Artigo 288 (Do falecido Gilmar)
Ponto50 (Do falecido Lord Sá )
Nocaute (Do falecido NinoRap)
Poetas de Ébano.
Macarrão.
Contagem Regressiva.
Lataj Mahal.
3 Preto.
Consciência Limpa.
Familia Kapone.
Ramiro Mart.
Ciência Rimatica.
Black Alien e Speed Freaks.
E da nova geração :
Peso Lunar.
Sindicato Heterodoxo.
Autonomia.
Manifesto Coletivo.
Pés Descalços.



Buzo: Você faz RAP a muitos anos, quais as maiores dificuldades ? Tem algum álbum lançado, pretende lançar alguma coisa em 2016 ?
Slow da BF:
As dificuldades são muitas. Mas não me abalo.
Tenho mais de 100.000 cópias vendidas nas coletâneas que participei como EZN.
Um CD físico(Epidemia) que esgotou e hoje em SP se compra por R$ 100,00.
Em 2013 lancei mais de 30 faixas.(próprias e featurings )
Em 2014 lancei mais de 30 faixas. (próprias e featurings )
Em 2015 gravei mais de 30
faixas. (próprias e featurings)
Vou gravar mais de 30 esse ano e lançar 120 faixas em 4 anos.
Tá na Net...


Buzo: O funk carioca ganhou as ruas de São Paulo, uns acham cultura, outros que só traz coisas ruins nas mensagens, o que você pensa sobre esse assunto ?
Slow da BF:
Tem Funk RJ com mensagem. Tem Funk RJ de conteúdo. Só procurar.
O Funk Ostentação de SP também tá vindo para o RJ.


Buzo: O que você pensa de organizações ligadas ao Hip Hop (ou) periferia, como a CUFA, Afrorregae e outras.... ?
Slow da BF:
A Rua sabe quem é quem. Quem é, é.


Buzo: Você é um ótimo improvisador, qual a importância desse dom na sua carreira ?
Slow da BF:
Esse dom me levou a lugares que 99% de outros Rappers ainda não foram.
Abriu portas em lugares que nunca teve Hip Hop.
Meu dom levou pessoas e grupos do ponto A para o ponto B.
Aglutinou Instituições e Poderes que não se viam mesmo coexistindo.
Meu dom me deu muito.
Principalmente Respeito.


Buzo: O Rap carioca é unido ?
Slow da BF:
O ser Humano não é unido. Nenhum Rap de nenhum lugar do Planeta é unido.


Buzo: Sei que você lê, já comprou livros meus inclusive, qual a importância da literatura na sua vida e o que acha da chamada literatura marginal ?
Slow da BF:
Comprei todos os teus que estavam vendendo na época.
Já participei e de alguns livros.
Pretendo escrever os meus.
Acho que a L.M é o efeito colateral desse sistema podre.
É Literatura dos que estão na margem ou além da margem.


Buzo: 2015 não foi fácil.... mas cite 3 coisas boas e manda um salve pra quem conferiu essa entrevista ?
Slow da BF:
Foi Punk esse ano.
1 O Segundo Livro que o Kase One e o MC Who (O Credo) estão fazendo. (Talvez venha mais livros).
2 O primeiro Slam Poetry do RJ (Tagarela) que está indo em lugares que poetas e Slameros não foram.
3 Os Encontros de DJS tocando em vinil no RJ que estão lindos e aumentando e os Encontros de Grafitti que estão colorindo as Favelas.
Um salve ao Hip Hop Original.

domingo, 3 de janeiro de 2016

10 entrevistas de 10 perguntas com 10 seguidores do Buzo no Facebook. 8/10 > ENTREVISTA EXCLUSIVA COM "Jéssica Balbino".

Ela atua tanto no Hip Hop que até parece que mora no eixo Rio-SP, mas não.... Jéssica Balbino é de Poços de Caldas-MG.
Além de pesquisadora e escritora, agita eventos, faz assessoria de imprensa de grupos como o Inquérito e entra nas lutas mais difíceis, sofre com isso, mas diz que "vale a pena"....
É gorda e luta contra a GORDOFÓBIA, é mulher, feminista é claro.... entre outras.
Falamos de tudo isso e um pouco mais com ela, vamos conferir ?



***


Alessandro Buzo: Você lê muito, quantos livros leu em 2015 ? Indique um que gostou muito?
Jéssica Balbino:
Olha, eu leio menos do que eu gostaria, viu! Eu tô estudando, então eu li muitos livros acadêmicos, que acabei nem listando. Dos que eu li como entretenimento mesmo, foram 38 em 2015, mas já teve ano de eu ler quase 70 (risos). Entre os que eu mais gostei neste ano estão “O livro dos negros” (Lawrence Hill), que é narrado por uma personagem feminina, criança na África, que foi escravizada e levada para os Estados Unidos. Toda a vida dela é narrada desde a infância, com os pais, até a morte, lutando pela abolição em Londres. Vale muito a leitura para quem quer conhecer mais sobre os navios negreiros, a forma como os senhores tratam os escravos, as lutas mesmo para quem consegue fugir. Enfim, foi um livro que mexeu muito comigo. Indico também os livros da Chimamanda Ngozi Adichie. Ela é muito querida já no Brasil. Em 2015 eu li “Americanah” e “Meio Sol Amarelo”. Gostei de ambos, mas “Meio Sol Amarelo” trata da guerra na Nigéria e é bem bonito. Mostra, principalmente, como os problemas com dinheiro, guerras e sangue não podem afetar o que somos. As protagonistas são duas irmãs.

Alessandro Buzo: Algum plano pra lançar um novo livro seu em 2016 ?
Jéssica Balbino:
Ah! Eu tenho muita vontade de publicar algo, mas ainda não tenho nada pronto. Eu escrevo bastante, mas são mais reportagens ou ensaios. Talvez eu reúna isso numa publicação, mas eu tô bem focada em terminar minha pesquisa sobre as mulheres na literatura marginal/periférica.


Alessandro Buzo: Você postou fotos sua de biquíni na praia e a liberdade de ser "gorda" e ter esse direito, eu sou gordo também, qual foi a repercussão ?
Jéssica Balbino:
Durante muito tempo, eu sofri por ser gorda. Eu tentei emagrecer, fiz todas aquelas dietas malucas, chorei em silêncio, em público, me privei de muita coisa, mas, faz uns anos, entendi que não precisa ser assim. Eu sou gorda por um fator genético e não existe dieta no mundo que mude isso. As pessoas tem mania de achar que pessoas gordas comem muito, são preguiçosas, porcas, entre outras coisas, e isso não é verdade. A maior parte das pessoas gordas são assim por uma característica genética. E como eu vou brigar com uma minha genética. Eu não como muito, eu pratico exercício, eu sou saudável. É o mesmo que um negro querer ser branco. Ele só vai se machucar.
Quando eu entendi isso, percebi que eu já era muito do que eu gostaria de ser como pessoa, como profissional, e que, agradando o padrão estético da sociedade ou não, eu sou o que sou gorda. Peso 120kg, tenho estrias, celulite e eu tinha duas opções: ser feliz comigo mesma, ou guerrear contra eu mesma. Eu escolhi ser feliz.
Nunca antes na história desse país (risos), se falou tanto em gordofobia, pressão estética e feminismo, e está tudo interligado. Eu já postava fotos de biquíni desde a época do Orkut, quando o Facebook e o instagram nem existiam, mas, não faziam tanto barulho. Neste ano, fui pra Cuba e quando voltei, resolvi postar as fotos, acompanhadas de textos sobre isso. É um contrate muito grande, porque enquanto meus “amigos” compartilham fotos de shakes, dietas milagrosas, se matando na academia e nas corridas, e outros compartilham piadas com fotos de mulheres gordas, eu estou feliz da vida, de biquíni, na praia, vivendo, construindo, etc. Então, é também uma provocação de valores. Teve uma foto em que eu escrevi: como devem sofrer as pessoas que são escravas do próprio corpo me vendo com a barriga grande de fora sendo feliz no Nordeste. E é isso. Não quero julgar o estilo de vida de ninguém. Mas eu optei por não ser escrava e luto sim, pelo fim das piadas, da ridicularização, etc. Porque, embora eu esteja bem, existem problemas sociais que afligem os gordos: as cadeiras são pequenas, as privadas também. Os assentos no avião são minúsculos, a roleta do ônibus impede uma pessoa gorda de passar. E isso tudo por quê? Porque os estereótipos são reforçados. As pessoas gordas são rechaçadas o tempo todo. A gordofobia mata quem não tem autoestima, quem não consegue se encaixar no padrão. E fica a reflexão: quem consegue ser perfeito para estar no padrão doentio criado pela sociedade? Ninguém!
Tenho estado muito engajada nessa frente. Tenho me empenhado em chamar a atenção para este fato. Uma pessoa gorda e feliz incomoda a sociedade. Incomoda quem vive na busca frenética pelo corpo ‘perfeito’. Meu corpo é perfeito. Ele é saudável e isso é tudo. Eu me sinto bem e bonita assim.
Por outro lado, há quem se incomode tanto com isso, que usa um discurso de falsa preocupação com a saúde para justificar a gordofobia. Eu posto uma foto na praia, de biquíni e a pessoa comenta: obesidade é doença. Sim. Obesidade é uma disfunção do organismo, mas não quer dizer que eu vou morrer por estar ‘acima’ do peso. Significa apenas que meu metabolismo não funciona como o de uma pessoa magra. Quando alguém diz isso, parece que gordos comem mal, quando dos 7 dias da semana, em pelo menos 5 eu almoço coisas saudáveis. Entende? Aí vem a pessoa dizer que ela está preocupada com a minha saúde. Sério mesmo? E por que ela não se preocupa com a minha queda de cabelo? Comigo quando eu tive depressão? Com as crianças que morrem de câncer todos os dias? Ninguém está preocupado com a saúde de ninguém. As pessoas estão incomodadas com os corpos das outras, especialmente se este for um corpo gordo se divertindo na praia.


Alessandro Buzo: Você é ultra, mega engajada em várias frentes, alguma vez isso te cansa, pensar em deixar pra lá?
Jéssica Balbino:
Sim. Eu penso em abandonar várias coisas todos os dias. Há momentos em que eu fico esgotadíssima. Porque eu trabalho muito. Como jornalista, nunca tive uma rotina normal, em dias normais da semana. Sempre trabalhei em feriados, dias santos, finais de semana, e isso me tornou meio que ‘workaholic’. Sou uma pessoa que tem dificuldades para relaxar e se divertir. Eu tô sempre enxergando trabalho, sempre enxergando onde posso e devo militar. Mas, não sei ser diferente. Eu tento focar, tento diminuir o ritmo, estabelecer prazos e prioridades, mas nem sempre eu consigo. É um conflito muito grande comigo mesma. Isso me afasta de ‘amigos’, de pessoas, enfim. Sabe quando você se torna a chata do rolê? A ‘espalha roda’? Pois é. Isso acontece comigo. Mas, tô tentando aprender a lidar.


Alessandro Buzo: O que te motiva a lutar pelo próximo?
Jéssica Balbino:
Acho que vem da personalidade, né? Eu não suporto injustiça. Então, aquilo que dói em mim também, transformo em luta. Isso se aplica ao hip-hop, que sempre foi um pilar, seguido da literatura e através disso tudo, conheci o feminismo, pela Frente Nacional de Mulheres do Hip-Hop (FNMH²) e o empoderamento que vem através disso é irreversível. Você começa a enxergar o que está errado e eu sou ‘mulher elétrica, 3 mil volts’. Não consigo parar. Eu quero mudar o que está errado. E só sei fazer isso lutando.


Alessandro Buzo: #NãoPoetizeoMachismo ...... Valeu a pena? Trouxe resultados positivos?
Jéssica Balbino:
É importante dizer que eu não sou a única articuladora da campanha #NãoPoetizeoMachismo. Ela surgiu naturalmente por meio de várias mulheres que se sentiram, em algum momento da trajetória, ultrajadas nos espaços culturais, por atitudes machistas. Eu não estou mais à frente do movimento que foi criado, mas acompanho.
Valeu a pena sim. Foi muito importante para todas as mulheres que se conectaram com isso, ver que elas não eram as únicas, que elas não estavam sozinhas. Quase simultaneamente surgiu a campanha #MeuAmigo Secreto, que fez relatos semelhantes e que nos uniu ainda mais. Foi importante identificar o modus operandi de alguns homens, que fizeram várias vítimas nesse circuito de saraus. Foi legal pra gente entender também como se defender.
O que fica, disso tudo, é que como um relato de abuso pode ser empoderador e que não devemos, nunca, nos calar. Que a mulher tem que falar. Tem sim, que fazer um escândalo. Quando uma mulher relata um abuso sofrido, outra, que nem encarava aquilo como abuso, passa a enxergar que também foi vítima. E assim, conseguimos romper com o ciclo do machismo na sociedade.


Alessandro Buzo: Sofreu represálias, se sim, como encara isso?
Jéssica Balbino:
Eu posso falar por mim. Eu sofri represálias, sim. O que mais machuca é saber que os homens que frequentam os saraus são caras que conhecem a nossa luta, que estão conosco no dia a dia, que se tiverem qualquer dúvida sobre machismo, vão poder nos questionar a qualquer momento, e vamos ter uma conversa franca, e foram estes mesmos homens que abusaram da gente, diretamente. São homens que lutam contra a opressão dos negros, dos pobres. Que tem o poder da palavra no microfone, no megafone, nos livros. E que clamam e bradam por justiça o tempo inteiro, mas que nos cantos escuros, abusam das mulheres. A agressão veio de homens que considerávamos irmãos de luta. E isso foi o que mais machucou.
E claro, estar próxima disso tudo. Estar lutando pelas mulheres, mas trabalhando com homens, rendeu ameaça, amizades rompidas, certezas lançadas pela janela. Mas eu encaro isso como um processo natural. Quando eu tirei uma foto escrito no meu corpo #NãoPoetizeoMachismo, sabia que estava dando a cara a tapa e indo pro combate.
Combate este que incluía gente bem próxima. Amigos que eu considerava como irmãos. Mas era inevitável. Tudo na vida são escolhas, são posicionamentos. Eu escolhi me posicionar como mulher, muitas vezes agredida por homens nos saraus, e quando eu falo agressão, são várias as formas. Silenciamento, convidar mais homens que mulheres, só dar destaque pra homens na hora da foto, agradecer todo mundo, mas esquecer da mulher que fez todo o corre bruto, preterir mulheres, não ouvir quando elas vão ao microfone, fazer poesias machistas, agarrar à força, xavecar, tentar olhar a calcinha, encoxar sem querer, abusar sexualmente, psicologicamente, entre outras coisas. Mas, muitos homens se negaram a reconhecer seus lugares de opressões, a mudar, etc. Muitos só disseram: borandar aqui pra frente. Sim. Nós vamos andar de agora em diante, porque não dá pra mudar o passado, mas a gente pode rever onde errou e tentar mudar, tentar compensar o erro. É igual o branco que escraviza o negro e depois de anos diz: desculpa, tá aqui a sua lei áurea. Ok. Mas e ai? Esse negro faz o que com o tempo que perdeu? Com a liberdade agora?
Foi o que muitos homens do rolê fizeram com as mulheres. Mas, valeu a pena sim. Toda forma de empoderamento feminino vale muito a pena. Eu tô ainda bem machucada com tudo isso. Deixei de frequentar espaços que eu frequentava por algum tempo. Mas também tô forte. Tô pronta pra seguir lutando.


Alessandro Buzo: Cite 3 coisas boas de 2015 ?
Jéssica Balbino:
1º - A marcha que as mulheres fizeram contra o deputado Eduardo Cunha e o projeto de lei que pretende dificultar o acesso ao aborto em casos de estupro. Milhares foram às ruas. E isso significa empoderamento.
2º - O fortalecimento e expansão do meu projeto Margens (www.margens.com.br) que mapeia as mulheres que escrevem em todo o Brasil.
3º O aumento no número de publicações vindas de escritores periféricos.



Alessandro Buzo: Quais seus planos pra 2016, culturalmente falando ?
Jéssica Balbino:
A ideia é encerrar minha pesquisa – que é também minha pesquisa de mestrado – que tem como objetivo mapear quem são as mulheres da literatura marginal/periférica no Brasil. Já criei um mapa, ainda provisório, disponível no (www.margens.com.br) e neste mesmo endereço estou construindo uma reportagem 360º sobre o tema. A ideia é romper com os muros da academia e transformar a pesquisa em algo acessível pro público, pra massa, pra quem está participando. Tem sido intenso, desgastante, mas muito gratificante. Conheci mulheres incríveis e que fazem uma literatura excelente.


Alessandro Buzo: Pra finalizar, vem mais luta por ai ? Quais......
Jéssica Balbino:
As lutas não param, né. Acho que sobreviver no Brasil, vivendo de arte e cultura, sendo mulher, gorda e periférica já é uma luta diária. Não dá pra prever o que vai acontecer, mas sabemos que politicamente temos bancadas que querem exterminar negros, pobres e limitar mulheres a serem objetos de satisfação do desejo masculino, sem direitos, portanto, vamos seguir nas mesmas pautas. E eu, na vida pessoal, sigo com o projeto Margens, que tem sido a prioridade e que, indiretamente, fala sobre tudo isso, por meio das poesias feitas pelas mulheres.
No mais, agradeço o carinho, o espaço e a amizade.



Jéssica Balbino e Alessandro Buzo

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

10 entrevistas de 10 perguntas com 10 seguidores do Buzo no Facebook. 7/10 > ENTREVISTA EXCLUSIVA COM "Alex Barcellos".

Alex Barcellos é um agitador cultural em São Paulo, realizador do Festival Percurso na Zona Sul da capital.
Vamos conhecer melhor esse mano, numa entrevista exclusiva.



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Alessandro Buzo : Quem é Alex Barcellos por ele mesmo ?
Alex Barcellos:
Alex é um amigo que tu pode contar com ele até o fim, cara simples, morador de Taboão da serra que passou grande parte da sua vida na várzea e nas quebradas da zona da zona sul, filho de mineiros que estudaram até a 4 série, e de 3 irmãos que até hoje tem que aguentar esse maloqueiro que fala gíria, que trabalhou 15 anos no comercio de varejo de São Paulo tendo vários conflitos ideológicos com os patrões, que conheceu a cena cultural em 97 trabalhando com teatro e música, mais que infelizmente não conseguiu viver do seu sonho, muito pela época que sonhou.
Amante de música, política e de produção periférica.
Que curte muito estar com amigos, pessoas, juventude, que tem sonhos é que acredita neles, que tem foco, que é um bom amante do mar, cachoeira, que curte um bom Whisky, adora ler biografias, que escuta muita música e que gosta de conhecer mais é mais sobre o Brasil e os brasileiros.
Que não foge da luta, que adora acompanhar ela, e que confia muito em quem luta!


Buzo: Você é um dos organizadores do Festival Percurso, na zona sul de SP, o que dizer da edição de 2015 ?
Alex Barcellos:
Festival Percurso começou como um sonho coletivo que germinou em um grande Festival na Zona Sul, 2015 foi nossa segunda edição, foi mágico, foi um momento de conseguir reunir em um evento tudo que poderíamos ter de produção cultural periférica, um evento de um dia só, que teve envolvido, 3a Idade, Crianças, Juventude, Economia Solidária, Mulheres, Indígenas, Povos Tradicionais, Funk, Rap, Sarau, Poesia, Grafitte, Brincadeiras, teatro, dança, literatura, comida e ocupando um espaço público como a praça do Campo Limpo, sendo tudo grátis, com público estimado em 20 mil pessoas no decorrer do dia. tudo em um arranjo colaborativo, mostrando a força da produção periférica em organizar um evento desse porte.


Buzo: Teremos Festival Percurso 2016 ? O que podemos esperar ?
Alex Barcellos:
Espero ter Festival Percurso todo ano! Lembrando que Percurso tem um duplo sentido, pra nóiz é Periferia e Cultura em Rede Solidária, ou seja a cada ano cresce mais. Em 2016 vamos fortalecer mais ainda a produção periférica, os arranjos solidários e ter mais colaboradores na produção.


Buzo: Nos fale da cena cultural na Zona Sul, Zona Show ?
Alex Barcellos:
A cena cultural da Zona Sul resiste ainda! Mais acho que vem tendo um grande progresso, ocupando mais espaços públicos seja em praças, bibliotecas, salas, escolas, ruas, vem surgindo mais Saraus em diversas quebradas, tem vários projetos acontecendo dentro dos territórios. Exemplo ano passado teve a feira literária da Argentina com diversos Saraus aqui da Sul, Estéticas da Periferia que foi lindo de ver e participar, conseguimos estar na 31a Bienal com 22 atrações periféricas, Teve o Festival Doladodecá que contemplou o Futebol de várzea levando a cultura pra dentro do campo com o Narra Várzea e o Racionais tocando no Capão no Festival Percurso, conseguimos lançar um Cd com arranjo colaborativo e solidário do Vitor da Trindade junto com a Agência Popular de Cultura Solano Trindade. Esse ano foi intenso, Cd do Z'África Brasil, Festival Percurso, Felizs 1a Feira Literaria da Zona Sul, 10o Festcal Festival Nacional de Teatro do Campo Limpo, 1o Festival onde Quereres Resolver sou Coqueiro, 8a mostra Cultural da Cooperifa, Festa de 15 anos da Festa 100% Favela. Vou citar só esse mais faltou muita coisa ainda, mais a Zona Show continua viva!


Buzo: Existe união entre artistas e produtores culturais na sua opinião ?
Alex Barcellos:
Olha ela não é unânime! Mais vem melhorando bastante essa relação de trabalhar junto, de ser mais colaborativo nas produções, todos lutar por mais Leis, projetos e editais. Acho que também estamos em um processo de formação de entender como juntos conseguimos mais coisas, de ouvir mais, de compartilhar mais e de se conhecer mais. Não tenho nada também com quem pense diferente, mais acho que ta na hora de acreditar em uma novo ciclo que vem surgindo e que todos devem repensar as suas ações.


Buzo: Cena dos Saraus na Periferia de São Paulo, qual importância você vê ?
Alex Barcellos:
Acho que o Sarau deu a oportunidade de mais pessoas falarem, de mais artistas surgirem, o sarau e resistência, luta, literatura, música, poesia, teatro e pedagógico, acho que ele consegue reunir tudo que tem de produção cultural, de manifestação artística, espaço de debates e posições políticas. Ele conseguiu entrar dentro da escola conservadora, ele conseguiu ir pra Argentina mostrar nossa cultura, ele está na França, na Alemanha no México, o Sarau é um dos movimentos mais importantes que aconteceu culturalmente no Brasil. Hoje ele ajuda na formação da nossa juventude, hoje ele fala, mostra nossa cara e fala a nossa língua.


Buzo: Quais saraus você costuma frequentar ?
Alex Barcellos:
Como disse amo a cultura periférica, vou citar alguns espaços que frequento e que indico a todos conhecerem, Sarau do Binho, Sarau da Cooperifa, Sarau do Kintal, Sarau Suburbano, Sarau Verso em Versos, Praçarau, Sarau Preto no Branco, Sarau da Viela, Sarau na Laje e Batalha TSP.Tem espaços culturais que as pessoas também devem conhecer Teatro Clarianas, Teatro Encena, Bloco do Beco, Sacolão da Artes, Espaço Cita, Projeto Arrastão, Espaço Comunidade, Espaço Tesol de Teatro, Grupo Candearte, Casa do Poeta Marcos Pezão, Cinema na Laje, Instituto Periferia Ativa, Livraria Suburbano Convicto, Espaço DAVILA, Bar Sede Vila Fundão, Casa As Capulanas, Espaço Afrobase, Quilombaque Perus, Pombas Urbanas, Projeto Cicas, Brechóteca, Casa de Cultura da M'Boy Mirim, Espaço Clamart, Barracão Cultural DJ Lah, Capão Cidadão, Ação Educativa, A Banca, Centro Cultural Monte Azul, Bar do Mutcho, Na amostra da Vielada, Adega do Baguinho, Bar do Saldanha e mais um monte que nem citei.


Buzo: O que você gosta de fazer em São Paulo ?
Alex Barcellos:
Em Sampa gosto de ir a Saraus, shows, bares e andar as pelas ruas, quebradas ou na casa de amigos. Mais gosto muito de ficar em casa ouvindo música, lendo um livro ou vendo vídeos.


Buzo: 2015 foi um ano difícil, mas destaque 3 coisas boas....
Alex Barcellos:
2015 foi difícil mesmo! 3 coisas boas,
1 - O movimento que luta pela Lei de Fomento as Periferias, que pressionou o governo do Município na aprovação de mais recursos para a periferia neste ano de 2016, mais que ainda luta pela aprovação da PL da Lei.
2 - O Levante da Juventude dentro das Escolas da Rede Estadual, que derrubou um secretario de Educação em um governo tão autoritário e conservador, essa juventude que se manifesta que sente a necessidade de mudar o amanhã mais começando hoje.
3 Os avanços que aconteceram em São paulo com a Economia Solidária com a Inauguração de uma Incubadora, com o decreto de compras feito pela prefeitura de São Paulo favorecendo os EES, Coperativas etc, A juventude que vem conhecendo e se formando em Economia Solidária essa nova cadeia produtiva da Cultura na Ecosol e o surgimento da Rede JuvEsol ( Juventudes e Economia Solidária).


Buzo: Considerações finais e um salve pra quem vai ler essa entrevista ?
Alex Barcellos:
Um salve pra todas e todos! deixo aqui uma mensagem a quem possa interessar.
Que tenha paz e sabedoria todos os dias, que não tenha data definida pra ser feliz, que tenha sempre próximo de ti quem tu ama, que você mais pratique o amor do que só fale sobre ele, que todos os dias da sua vida sejam de paz, igualdade, solidariedade, que melhore nossa coragem em ajudar a todos e a todos, que tenham mais coragem em se ajudar, que a saúde esteja forte pra continuarmos nas trincheiras do dia-dia, que nossos corações amoleçam e que não tenhamos mais medo de ser sincero, que eu sonhe mais e que conheça mais sonhadores, que devemos aprender a compartilhar mais e deixar nosso aprendizado no coração de cada pessoa, que tudo eu tenha e que tudo tu tenha, que sejamos mais unidos, mais irmão, mais nóiz por nóiz, espero olhar pro lado e ver você comigo no corre da vida sempre!
Vida longa á todos nós e muito amor sempre.
Valeu Buzo, Gratidão irmão!!

10 entrevistas de 10 perguntas com 10 seguidores do Buzo no Facebook. 6/10 > ENTREVISTA EXCLUSIVA COM "Jean Mello", escritor.

Jean Mello é um jovem escritor com três livros publicados...... vamos conhecer ele melhor ?
ENTREVISTA EXCLUSIVA




Buzo: Como é ser escritor no Brasil?
Jean Mello: Dedicar-se a qualquer tipo de atividade cultural no Brasil traduz-se em resistência, insistência, militância, dificuldade de todas as espécies para se manter, acreditando no impossível. Comigo sempre foi assim, como educador e agora também como escritor e músico. Um não é isento do outro.
Vivemos em um país em que não chega a 1% os recursos destinados à cultura. Apenas 0,6% do orçamento do governo federal são repassados para bancar práticas culturais. A luta é para que se chegue a pelo menos 2%.
Desde o governo Lula, mesmo com todas essas notícias de corrupção em massa, fato que não é exclusividade da gestão de todos esses anos do Partido dos Trabalhadores, podemos ver isso com facilidade nos noticiários ou em qualquer pesquisa séria sobre o assunto, o Brasil passou por grande desenvolvimento econômico para vários setores da sociedade que não tinham acesso aos bens que, historicamente, eram de desfrute apenas da elite financeira. Claro que é preciso olhar de modo crítico para esse chamado desenvolvimento econômico. A quem realmente beneficiou essas mudanças? Reflito um pouco sobre isso na resposta dessa questão.
Hoje, os ricos têm de dividir espaço com negros e nordestinos nos aeroportos. Os filhos das domésticas do passado estudam em universidades por intermédio de bolsas de estudos concedidas a partir do resultado do Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM.
Não sou panfletário de nenhum partido ou governo. Como escritor e educador essa é uma questão que observo, considero cara, importante, mas não gasto meu tempo discutindo isso em filas de ônibus ou debates intelectuais. O Brasil e o mundo são muito mais que isso. Não precisa de muito esforço para entender. Porém, refletindo sobre os últimos anos, pensando nas mudanças que vejo serem significativas, reflito por quais motivos todas essas transformações não aconteceram também no campo da cultura e da educação. Mais no campo da cultura. Se tão pouco investimento é destinado para isso, como vamos viver em um país em que os gestores, nacionais e regionais, não fizeram o desenvolvimento cultural caminhar de mãos dadas com o chamado desenvolvimento econômico?
Por outro lado, mesmo sabendo que não é exclusividade das gestões Lula e Dilma, concordo com o dramaturgo e diretor da Cooperativa Paulista de Teatro, Dorberto Carvalho. Ele diz... “Desde o governo Lula, o país tem passado por um período de desenvolvimento que beneficiou diversos setores da sociedade, dentre os quais empresários, banqueiros e investidores internacionais. A questão é que a cultura, entre outros setores sociais, quase não se beneficiou desse processo. Por conta disso, buscamos não só uma correção dessa desigualdade, bem como uma distribuição de recursos públicos que corresponda ao desenvolvimento econômico dos últimos anos e responda à demanda de produção, ao acesso e a fruição dos bens culturais por parte de uma imensa maioria da população”.
Acesso ao crédito não é necessariamente desenvolvimento social e econômico. Mesmo assim, os mais pobres ocuparem alguns espaços mexe, e muito, com o imaginário dos mais ricos nesse país chamado tropical. Veremos o efeito disso ao passar dos anos.
Ser escritor é fazer parte desse universo. Viver em uma realidade pautada no que vive o mundo e, por simples obviedade, o país de origem do autor. Somos de uma nação que não exige quase nada em desenvolvimento humano. O escritor, por consciência, vai no fluxo contrário disso tudo. Será fácil viver como escritor em um lugar assim?


Buzo: Quantos livros você publicou, comente brevemente sobre eles...
Jean Mello: Três livros, eles podem ser lidos do modo isolado, mas quando são degustados, um após o outro, são entendidos em sua completude. Crônicas Perdidas, Exalando Esperança e Fim de Tarde. Mas muitos admiradores de meu trabalho, desde a criação de meu site em 2008, me corrigem. Eles dizem que tenho mais de três publicações. Já me disseram que meu site é um livro sem fim, virtual.
Para explicar meus dois primeiros escritos, vou recorrer ao site da editora Kazuá, que publicou meu novo livro. E, para falar do Fim de Tarde, vou utilizar algo que meu amigo Germano Gonçalves e Marília de Santis disseram a respeito da obra: “Em 2013 publicou o livro Crônicas Perdidas. Relatos sobre uma diversidade de temas: educação, preconceito, religião, cultura, desigualdades sociais. Em 2015 mais um projeto publicado, Exalando Esperança. Na obra são retratadas situações aparentemente pequenas que ocorrem principalmente nas periferias, mas que precisam ser valorizadas. Um projeto de alfabetização de adultos nascendo em alguma região de vulnerabilidade social, um polo cultural surgindo em uma praça abandonada, pessoas superando as dificuldades que todo excluído enfrenta. Acredita que o sonho de Luther King não virou pó. Insiste em deixar sua marca no mundo através da arte” (Entrelinhas do autor, site da Editora Kazuá).
“Em Fim de Tarde, Jean, nos atenta a ver e examinar cuidadosamente as coisas do mundo, os afetos das pessoas, o grau de formalidade ou de intimidade entre os transeuntes de uma cidade. O desinteresse por uma cultura digna; o orgulho de quem anda de carrão e de modo desenfreado rumo ao vazio, como o autor menciona em uma das crônicas dessa obra: ‘Foi angustiante ver os carros passando, no trânsito da vida, com pressa, ou nem tanto assim, em direção ao nada que os esperavam’. É evidente que a humanidade está cada vez mais voltada para si, egoísta, pensando em seu próprio umbigo. Mas, vale lembrar, nas palavras do autor, que todos nós vamos para o mesmo lugar, e que desta vida nada se leva” (Germano Gonçalves).
“Jean Mello é educador social, cronista, músico, comunicador, poeta. Alicerça a sua obra no chão da vida. Romântico, mas nada ingênuo, procura explicar a realidade a partir do que vive, com profundo respeito à riqueza que a prática de seu cotidiano lhe confere. Suas crônicas, críticas e poéticas, são marcas de sua passagem pelo mundo. Jovem de largo horizonte, nos revela seu olhar e nos desvela um mundo de ilusões onde o consumo, a alienação e a injustiça social se desmancham sob a simplicidade de seu humor e de sua inquietude. Fim de Tarde é um livro simples. E especial. Porque é sensível e porque carrega consigo a esperança de um mundo melhor” (Marília de Santis é educadora e organizadora do livro Memórias de Heliópolis).


Buzo: Fim de Tarde, fala muito de educação..... a educação tem jeito no Brasil, qual o caminho?
Jean Mello: Sim... Mas não acho que a solução está necessariamente na escola. Também não quero centrar no que chamam de educação alternativa. Caminhos para educação são semelhantes aos que queremos apontar para a sociedade como um todo.
Lemos pouco nesse país, desfrutamos pouco das culturas locais, mesmo assim, temos manifestações culturais belíssimas. O que fazemos com tudo isso?
Precisamos de mais pessoas como o Alessandro Buzo, Sérgio Vaz, Jéssica Balbino, Ferréz, Sacolinha. Quais foram os caminhos trilhados por essas pessoas? Em outros lugares do Brasil precisa acontecer um movimento parecido com o que mantém Heliópolis, como o Bairro Educador. Não devemos ter cidades educadoras, restritas, mas um país totalmente pautado na melhoria da qualidade da educação no sentido amplo, valorizando conhecimentos humanos, não os que são classificados como importantes na educação básica ou no ensino superior.
Sempre que um sujeito se incomoda com alguma realidade de desigualdade social ou da desvalorização da cultura, dita periférica ou não, por exemplo, nasce alguma reação social, geralmente em forma de projetos ou, como podemos ver em várias situações, ações propriamente ditas que, não raro, mexem com alguma estrutura social/política posta. Falo das resistências culturais históricas.
Se olharmos com cautela para um passado remoto na história do Brasil, veremos que existiram muitos movimentos parecidos com a Cooperifa, o Sarau do Binho ou do Suburbano Convicto. Isso demonstra que a história continua se repetindo, porque os problemas se sofisticaram. Geralmente olho para essas coisas com bastante otimismo. Ela se repete tanto para opressão, quanto para as resistências. Simplista? Os quilombos de ontem são as favelas de hoje, seria coincidência ou a própria história mostrando que está aí para quem quiser ver?
Para a sociedade mudar de verdade, influenciando, lógico, na educação, seja ela escolar ou alternativa, os sofisticados movimentos, de reinvindicações sociais, deveriam dialogar mais e não ficarem com suas bandeiras isoladas levantadas. Além disso, crianças e adolescentes devem compartilhar com seus educadores conhecimentos práticos para solucionar problemas da vida e, mesmo sabendo que socialmente isso será exigido, ficar centrado em fórmulas exaustivas para alcançar boas notas no vestibular. Os saberes populares precisam ser disseminados para todos.
Reorganização proposta pelo Alckmin que gerou as ocupações, como você viu esse movimento e o que acha da proposta?

No site da Secretaria Estadual de Educação encontramos as seguintes palavras: “O processo de Reorganização Escolar, que amplia o número de escolas com ciclo único, foi adiado pelo Governo do Estado, a fim de ampliar o diálogo com pais, alunos e comunidade escolar. A proposta favorece a gestão das unidades e possibilita a adoção de estratégias pedagógicas focadas na idade e fase de aprendizado dos alunos”.
Se essas palavras foram ditas, podemos dizer que não houve diálogo para acontecer a reorganização escolar. Não só dessa vez, quase sempre é vertical. O poder público decide e o povo tem de acatar. O problema é que as pessoas estão cansadas disso. Agora essa bomba estourou, quando eles ocuparam as escolas, repetiram feitos históricos relacionados à juventude e ao Brasil.
Fizeram também o que ninguém vê essa geração fazer. Em todo tempo vemos manifestações sociais e culturais de jovens. Em um tempo de minha trajetória como educador fiz assessoria para escolas estaduais e a insatisfação era geral há alguns anos atrás. Deu para perceber que empurrar a sujeira para debaixo do tapete não é a solução, uma hora alguém descobre e a situação fica feia.
Logo no começo das ocupações me deparei com um escrito de um novo conhecido, Ruivo, descrevendo essa mesma parada. Concordo com ele. Quando as palavras estão ditas, não temos motivos para alterá-las. Dito está...

São Paulo, 2 de dezembro de 2015.
Meu amigo, Paulo Freire!
Espero que esta carta o encontre bem!
Na última vez em que eu o ouvi, fiquei muito comovido quando o senhor disse que estava muito cansado, embora estivesse muito feliz em estar vivo e morreria feliz em ver um Brasil em seu tempo histórico cheio de marchas, mas as “marchas dos que não tem escola, marcha dos reprovados, marcha dos que querem amar e não podem, marcha dos que se recusam a uma obediência servil, marcha dos que se rebelam, marchas dos que querem ser e estão proibidos de ser...”. Como o senhor mesmo disse, “as marchas são andarilhagens históricas pelo mundo”. Já se passaram alguns anos desde aquela última vez, de lá pra cá, toda vez que demos um passo o mundo saiu do lugar.
O senhor, como sempre, me pondo a pensar. Como um homem que conheceu tão bem a nossa gente, que conviveu tanto com a nossa gente, que conversou tanto com a nossa gente, que pensou tanto com a nossa gente, que se dedicou a vida inteira a nossa gente, pudesse estar cansado... cansado e feliz? Afinal, é a tua gente o motivo da tua felicidade, amigo Paulo!
É por isso que os donos do poder atentam contra a tua gente, como se fôssemos uns “desabusados... destruidores da ordem”, quando na verdade afirmamos que “é preciso mesmo brigar para que se obtenha o mínimo de transformação”. O teu desejo, o teu sonho, era o de que as marchas dos “sem” acontecessem para nos afirmarmos como gente e como sociedade querendo democratizar-se.
O senhor que nos agraciou com a mais potente “Pedagogia do Oprimido”, elevou a “Educação como prática da liberdade”, e estimulou a “Ação cultural para a liberdade”, fez da “Pedagogia da autonomia” um norte, no qual “a leitura de mundo precede a leitura da palavra”, sem abrir mão da “Importância do ato de ler”, nutrindo-nos de “Pedagogia da esperança”. Nem a perseguição, nem a prisão, nem a censura, nem o exílio o cansaram. Por que o cansariam agora, quando mais precisamos da vitalidade do senhor?
Meu amigo, Paulo. Preciso contar-lhe algo surpreendente. Há algumas semanas, estudantes secundaristas de escolas públicas de São Paulo mobilizaram-se e ocuparam as escolas estaduais contra a intransigência política e o autoritarismo mais atroz dos mandatários de plantão da Secretaria de Estado da Educação do Governo de São Paulo. Estes mandatários querem a todo custo promover uma desorganização do sistema misto do ensino fundamental e médio na mesma unidade escolar. Além de separar os estudantes, irmãos e irmãs em anos diferentes, estes mandatários anunciaram o fechamento de escolas e irão aumentar ainda mais a quantidade de estudantes por sala de aula, prejudicando ainda mais o processo de aprendizagem da turma de educandos, como também de educadores que ficarão pressionados entre carteiras e lousas nas salas de aula já superlotadas.
Amigo, Paulo. O senhor, depois de andarilhar com os oprimidos pela América Latina, Europa e África, foi Secretário de Educação da cidade de São Paulo, dialogando com todo mundo disposto a falar e também a ouvir. Ninguém mais do que o senhor sabe o valor da fala do oprimido que ao falar denuncia sua opressão e ao fazê-lo conscientiza-se “da tomada de decisão de intervenção no mundo”. O senhor que como Secretário Municipal de Educação acabou com as “delegacias de ensino”, porque delegacias são de polícia e não de ensino, e criou os Núcleos de Ação Educativa, unindo prática e reflexão pedagógica com e entre educadores e educandos. O senhor ficaria feliz se pudesse estar aqui para conferir a vitalidade, a disposição, a coragem e o sorriso que só a meninice consegue nos agraciar. Esses meninos e meninas que ainda estão se fazendo gente têm passado noites em salas e pátios de escolas ocupadas, organizam-se para a limpeza, para alimentarem-se, para promover a própria segurança, realizam assembleias, discutem os feitos do dia e planejam o dia seguinte, e assim “contrariam as estatísticas”, tomando para si a possibilidade de decidirem sobre o próprio futuro.
O senhor nunca deixou que esquecêssemos que não há possibilidade de educação apartada da cultura e que não há cultura apartada da educação. Sabemos que a truculência e a ideologia da ditadura militar nunca permitiram que a escola fosse um centro cultural de aprendizagem mútua e que anos mais tarde, a truculência política impediu que nossa amiga Marilena Chauí, então Secretária Municipal de Cultura, ao teu lado, fizesse das casas de cultura da Cidade de São Paulo, espaços educativos de modo que escolas e casas de cultura complementar-se-iam tal qual Cultura e Educação devem complementar-se, emaranhar-se, de modo que o sujeito da cultura e da educação seja os educandos.
Em uma escola ocupada e gerida pelos estudantes, prestigiei uma apresentação de teatro cujo mote era a rebelião dos trabalhadores cansados da opressão dos patrões. Vi amigos dos estudantes promovendo oficinas de estêncil, comunicação alternativa, cartazes, capoeira, música, sarau de poesia e etc. Vi pais e mães ao lado dos filhos e filhas, juntos, e não era nenhuma reunião protocolar de pais e mestres e sim a participação tão desejada da comunidade na vida escolar. Vi professores e professoras dialogando em profunda comunhão, chamando os estudantes pelo primeiro nome e sendo chamados pelo primeiro nome, aprendendo juntos a conviver fraternalmente como sempre desejamos. Vi pessoas doando livros, mantimentos, produtos de limpeza e etc., como demonstração de apoio aos estudantes. Vi pessoas dispostas a dialogar com os estudantes sobre consenso, organização, feminismo, negritude, LGBT, direitos humanos, educação popular e etc. Vi pessoas dispostas a ajudar de qualquer forma, a ouvir o que os estudantes têm a dizer e simplesmente estar ali, solidarizando-se. E numa das escolas ocupadas, vi no pátio, bem ao fundo e no alto, o teu retrato mais bonito, como se estivesse olhando a e por todos nós, testemunhando o movimento da história e feliz por estar presente. Posso imaginar o senhor sentado ali, junto com os estudantes, muito a vontade entre a tua gente, trocando histórias com eles como se estivesse ao pé de uma mangueira.
A cegueira e a surdez política dos mandatários de plantão da Secretaria de Estado da Educação enchem os brutos de orgulho muito mais do que bom senso. É espantoso como um aparato tão poderoso da educação pode ser manipulado por mandatários inescrupulosos e belicosos que, sem nenhuma vergonha, declaram “guerra” ao bem mais precioso da educação que é os estudantes, sujeitos da educação, sem os quais a Secretaria de Estado da Educação não passa de uma ostra moribunda, ensimesmada, destinada a prisão ao próprio casco. O Estado declarou “guerra” aos estudantes por estes recolocarem na ordem do dia a educação pública. Na ausência de diálogo, o Estado responde declarando a mais bestial “guerra” suja!
Amigo, Paulo. Os estudantes estão tomando as ruas da Cidade para buscar diálogo com cidadãos e cidadãs ainda penetráveis pela sensibilidade necessária que nos irmana a todos. As polícias agem como os mais ferozes, sedentos e bestializados cães raivosos à serviço dos poderosos. Contra a imposição da desorganização escolar, os estudantes respondem com a afirmação de que “não tem arrego”!
Como o senhor bem disse, “é preciso ir além da passividade com uma postura rebelde e criticamente transformadora do mundo”. Estes estudantes ainda pouco o conhecem, mas o senhor ficará feliz quando o conhecê-los.
Estes estudantes estão escrevendo os novos rumos da educação pública, nem eles, nem a sala de aula, nem as escolas hoje ocupadas serão as mesmas. Como o senhor, eu também estou feliz por testemunhar a vitalidade da história, que não está determinada, mas que ainda está por se fazer.
Abraço do amigo de sempre,
Ruivo Lopes.
P.S.: permita-me, pelo profundo respeito e admiração, que eu o chame nesta carta carinhosamente de “senhor”.


Buzo: Nos fale alguns autores que você lê, é fã?
Jean Mello: Falarei de referências de um modo geral... Gente que me inspira. Rubem Alves, Paulo Freire, Machado de Assis, Frei Betto, Leonardo Boff, Chico Buarque, Criolo, Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue, KL Jay, Sérgio Vaz, Maria Carolina de Jesus, Negra Anastácia.
Tenho mais nomes... Só que às vezes me referencio em pessoas que estão escrevendo livros, mas não sabem que estão. Trabalhadores na luta cotidiana, amigos, familiares meus, os mais próximos e os mais distantes.


Buzo: Complete a frase..... Literatura é?
Jean Mello: O combustível para todas as utopias... Acredito que seja como nas palavras de Galeano.
“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar” (Eduardo Galeano).
A literatura me salvou de toda falta de fé. Não paro de caminhar por conta dos livros que li, escrevi e ainda vou escrever.



Buzo: Quem te incentivou a ler e escrever e qual a importância (ou não) da escola nesse processo?
Jean Mello: Meu pai sempre foi envolvido com música, não apenas por ser admirador do Djavan.
Dono de uma loja de disco em que gravava os grandes sucessos da época do disco para fita K7, que os clientes, na maioria das vezes amigos dele, solicitavam, principalmente os de música black. Creio que ele também dava uns bailes (olha o que eu digo, acho que estou ficando meio 'tiuzão') como DJ, mas disso não tenho certeza.
Cantor e compositor. Desde que me conheço por gente vejo meu pai tocando seu violão e cantando com empolgação. Chico Buarque, Caetano Veloso, Djavan, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Stevie Wonder, Earl Klugh, Michael Jackson, Lulu Santos, etc., eram as referências de meu lar. Quando não eram tocados no violão, vinham do LP.
Por incrível que pareça, acredito que toda essa situação tenha sido minha iniciação no mundo das artes, que tem a escrita, para mim, como meu alicerce.
Aprendi a ler na pré-escola. Já na primeira série, tive uma professora chamada Olinda, não me esqueço.
Os professores de história que tive, um deles até cito no "Fim de Tarde", contribuíram bastante para minha inserção no mundo da leitura e da escrita. Não tanto os de português.


Buzo: Você se denomina Literatura Marginal, o que acha desses rótulos, marginal, periférica?
Jean Mello: Não me incomodo com os rótulos. Já fui mais irritado com isso. Hoje em dia não mais. Creio que tudo é literatura e cultura. Mas existem os pesquisadores empoeirados - na maioria das vezes acadêmicos - que precisam classificar tudo, nomear. Isso pra muitas coisas.
Uma vez eu fui convidado para recitar umas poesias em Paraisópolis. Foi uma festa bem legal, muita comida boa, gente divertida, fui muito bem recebido pela comunidade. Em um momento da festa percebi que um grupo de jovens não se aproximava da galera, em hipótese alguma. Eles olhavam e anotavam. Aquilo me intrigou. Fui até eles e perguntei por qual razão eles estavam de espectadores daquela festa linda. Eles responderam: "Somos pesquisadores, não podemos nos misturar com nossos objetos de estudo".
Lógico que nem todos os pesquisadores são assim. Mas muitos são...
De quais lugares saem esses rótulos? Por quais motivos escritores precisam ser classificados como marginais? Um dia nos livraremos dessa nomenclatura? Queremos nos livrar? Sempre me pergunto. Me considero escritor. Mas não me incomodo com os rótulos, isso não quer dizer que eu os aceite.


Buzo: Cite 3 coisas boas no seu ano de 2015?
Jean Mello: Nem todas posso citar porque menores de idade lerão essa entrevista (risos). Então, escolhi essas três:
1) Dar uma palestra no Memorial da América Latina;
2) Publicar meu segundo livro, Exalando Esperança;
3) Publicar meu terceiro livro, Fim de Tarde.


Buzo: O que espera de 2016 e um salve pra quem vai ler essa entrevista.
Jean Mello: Para 2016 espero ir mais no espaço do Suburbano Convicto, principalmente em dias de sarau. Risos...
É uma brincadeira séria. Assumi um compromisso de me envolver mais em movimentos de quebrada. Em minha vida como educador, estive e estou muito envolvido com organizações não governamentais, em projetos sociais nas periferias, de um modo geral, dentro e fora de Sampa. Isso me fez aprender muitas coisas. Agora quero trocar... Aprender novas coisas e ensinar também.
Agradeço às pessoas que dedicaram seu precioso tempo lendo esse material e ao Alessandro Buzo por todo esse espaço e fortalecimento.
Feliz ano todo!
Jean Mello.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

10 entrevistas de 10 perguntas com 10 seguidores do Buzo no Facebook. 5/10 > ENTREVISTA EXCLUSIVA COM "Marcio Costa", escritor.

Marcio Costa é casado com Andrea, pai do João de 10 anos, professor de Geografia e assessor parlamentar da Vereadora Juliana Cardoso do PT - SP.
Autor do livro: JUSTA PALAVRA, de crônicas.
Antes do livro, publicava os textos num blog (www.justapalavra.blogspot.com), juntou textos publicados na internet e fez o livro pra comemorar 40 anos em 2014.
Vamos conhecer um pouco mais do Marcio Costa nesta entrevista exclusiva de 10 perguntas.



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Alessandro Buzo: Você criou um BLOG que virou livro, porque começou o BLOG ?
Marcio Costa: Mano, criei o blog bem timidamente para exercitar a escrita, como um passa tempo mesmo, fui criando gosto e escrevia de duas a três crônicas semanais para publicar.

Buzo: O livro veio pra comemorar seus 40 anos, foi um divisor de águas ?
Marcio Costa: Foi sim, lançar um livro aos 40 anos de aniversário foi um barato, depois disso toda minha rotina mudou, passei a frequentar Saraus e conheci varias pessoas, comecei a ler outros assuntos e autores que eu não conhecia, e de lá pra cá minha leitura tem sido a literatura marginal mas é claro sem deixar a classica de lado, uma complementa a outra.

Buzo: O livro JUSTA PALAVRA trouxe o resultado que VC esperava dele ?
Marcio Costa: Trouxe muito mais que eu esperava, o livro foi publicado numa brincadeira de aniversário e sem pretensão alguma, ainda hoje depois de um ano e meio do lançamento ainda rende assunto, portanto posso dizer tranquilamente que ele superou todas as minhas expectativas.


Buzo: Professor e Assessor Parlamentar, como é essa jornada dupla ?
Marcio Costa: Dependendo da época fica bem turbulento o trampo, época de provas por exemplo e final de semestre fica tenso mas nada que não de para segurar. É claro que ambos os trabalhos demandam muito do meu tempo.

Buzo: Itaquera sua quebrada, como é sua ligação com o bairro ?

Marcio Costa: Da hora essa pergunta, Itaquera além de minha quebrada de moradia foi lá que nasci, fui criado e trampo, minhas crônicas e histórias se eu não estivesse na quebrada eu não teria como descreve-las, adoro o meu bairro.

Buzo: De uns tempos pra cá, passou a frequentar saraus, fale deles e importância na sua vida ?
Marcio Costa: Os saraus fazem toda a diferença, gosto muito de ir para apreciar a galera declamando poesias, contos, crônicas, tem sido neles que adquiro novos livros e conheço pessoas e falo do que mais gosto que é a literatura. Os saraus acabaram se tornando uma escola pra mim, é sinônimo de discplina, respeito, tolerância, resistência e protestos, tudo aquilo que eu gostaria que fosse uma escola.

Buzo: Porque o Brasil lê pouco ?
Marcio Costa: Acho que por dois motivos.
Cultura, falta de hábito das pessoas em ler algo, seja lá o que for e o outro o preço dos livros, mesmo quem gosta de ler fica um pouco caro comprar um livro e por isso acaba não sendo uma prioridade, se os livros fossem mais baratos talvez a galera passasse a ler mais.
Falta incentivo cultural e financeiro pra isso.

Buzo: Além da literatura e trabalhos, o que te da prazer, o que gosta de fazer em São Paulo ?
Marcio Costa: dar um rolê na cidade/centro e ir ao cinema. Ler a cidade e as pessoas, acho o maior barato.

Buzo: O ano de 2015 foi complicado, mas liste 3 coisas boas no ano que se finda ?
Marcio Costa: Mano tiveram várias coisa boas nesse ano tirando a grana curta.
Lançamento do livro poetas do sarau suburbano volume 3 foi da hora, conheci vários parceiros novos e fiz novas amizades.
Foi o ano que mais li, acho que por volta de uns 30 livros.
E por ultimo decidi pautar minha vida, isso foi muito importante, fazer o que e quando quer foi fundamental pra mim.

Buzo: O que espera de 2016 e um salve aos leitores que vão conferir essa entrevista ?
Marcio Costa: Que venha 2016 com bastante trampo, saúde e paz que o resto a gente corre atrás.
Aos leitores um grande abraço e vamos fomentar a escrita e a leitura, isso faz toda a diferença. Valeu.



Alessandro Buzo e Marcio Costa

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10 entrevistas de 10 perguntas com 10 seguidores do Buzo no Facebook. 4/10 > ENTREVISTA EXCLUSIVA COM "Lucia Mekana"

Militante do movimento negro, Lúcia Makena lançou as BONECAS NEGRAS que ela mesmo faz. Sempre a encontro nos eventos, vendo também suas bonecas na Livraria Suburbano Convicto.
É avó da MC SOFFIA.... vamos saber mais da MAKENA em 10 perguntas



***

Alessandro Buzo: Como teve início seu trabalho com as bonecas negras ?
Lucia Makena:
Comecei pela necessidade de contribuir na luta contra o racismo e as bonecas foram o caminho que acreditei que seria o melhor.

Buzo: É rentável, ou mais por prazer ?
Lucia Makena:
É um trabalho de militância, sobrevivo das bonecas, palestras e oficinas mas o suficiente para viver.

Buzo: Quantas bonecas vende por mês, ou num evento ?
Lucia Makena:
Dificilmente contabilizo rs.
Porque cada evento tem um característica tem alguns que vendo bem e outros mais ou menos.

Buzo: Porque deu início a esse trabalho ?
Lucia Makena:
Por uma questão de militância e compromisso com as questões raciais.

Buzo: E a MC Soffia ? Sua neta ?
Lucia Makena:
A Soffia é um presente de Oxalá, uma menina esperta, inteligente e que graças ao nosso empenho (família materna,paterna, escola e militância) está crescendo uma menina feliz e empoderada.

Buzo: Esperava ver a MC Sofia tão nova, fazendo shows ? Viajando ?
Lucia Makena:
Então na verdade não tínhamos tanta pretensão, tudo foi acontecendo muito rápido mas é importante frisar que além do talento nato da Soffia o trabalho da Kamilah enquanto produtora independente tem sido valoroso.

Buzo: VC apoia 100% a carreira artística dela ?
Lucia Makena:
Claro que apoio, como disse a Soffia tem talento, mas toda família é muito cuidadosa com ela, evitamos exageros e garantimos sua responsabilidade nos estudos e diversão nas brincadeiras e jogos, em nenhum momento esquecemos disso o restante é consequência.

Buzo: Importância do Hip Hop e Saraus na sua vida ?
Lucia Makena:
Toda a importância na minha vida, todos os dias aprendo com os poetas e as poetizas,inclusive do Sarau Suburbano, tanto o Hip Hop como os saraus são muito inspiradores para meu trabalho e minha vida.

Buzo: As mulheres da cultura, são ou estão unidas ? Contra o machismo e outras questões ?
Lucia Makena:
As mulheres da cultura sempre estão unidas o que ocorre é q temos diversidade e isso é muito importante e através da cultura lutamos contra diversos males entre eles o machismo, racismo e homofobia.

Buzo: O que pode deixar de mensagem de final de ano e pra 2016, pra quem vai ler essa entrevista ?
Lucia Makena:
Espero que em 2016 as pessoas exercitem mais o respeito ao próximo e a próxima, tenham mais oportunidades de estudos e trabalho, que a cultura se liberte do racismo, machismo e homofobia e que o Estado deixe nossos jovens negros e pobres viverem!!!!!

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10 entrevistas de 10 perguntas com 10 seguidores do Buzo no Facebook. 3/10 > ENTREVISTA EXCLUSIVA COM "Samella Nayara"

Ela é jovem, declama nos saraus clássicos da literatura com uma performance só dela.
Como será que Samella Nayara se descobriu poeta ? Vamos saber isso e muito mais nessa entrevista de 10 perguntas.



***

Alessandro Buzo: Você é jovem, mas se descobriu poeta ? Como foi isso ?
Samella Nayara‏:
A poesia entrou na minha vida através de uma ONG de incentivo a leitura que fez um projeto na minha escola quando eu tinha uns 10 anos.

Buzo: Importância dos saraus que frequenta na vida hoje ?
Samella Nayara‏:
Pra mim é imprescindível haver lugares no qual você possa se expressar e escutar. Hoje em dia nos sentimos cada vez mais sozinhos no mundo e encontrar pessoas que tenham a mesma visão do mundo que você e coisas a ti passar é muito bom!

Buzo: VC posta coisas tipo: - As relações comigo são assim:
Me mata ou se mata! ................. É isso mesmo, vem de onde estas postagens ?
Samella Nayara‏:
Não no sentido da palavra é que algumas pessoas nos matam por dentro sem perceber e eu não morro mais se não for pra parar em um caixão!

Buzo: Sua última postagem foi: - Gente fiquei com uma mina e gostei virei lesbica, agora só colo o velcro.
Você não acha que se expõe com postagens assim ? Ou é tudo no seu nome ?
Samella Nayara‏:
Meu melhor amigo entrou no meu facebook e como um bom amigo isso não poderia faltar!

Buzo: Você se acha uma jovem rebelde ? Quais lutas você apoia ?
Samella Nayara‏:
Não, nunca fui rebelde. Eu não costumo apoiar movimentos, diríamos que fico sempre de fora observando, conhecendo e entendendo. Mas não me vejo dentro dessas lutas, apesar de entendê-las sei que minha luta não é essa!
O único movimento que me ganhou foi o das escolas, esse não só me ganhou como me emocionou!

Buzo: Mora onde ? Frequenta bastante a região central de SP ? Como é o centro da maior cidade do país ?
Samella Nayara‏:
Moro na zona sul, alto do Ipiranga. Frequento muito o centro de sp. Até hoje o centro pra mim foi o lugar que mais me surpreendeu, vi coisas maravilhosas e coisas terríveis acontecerem ao mesmo tempo!

Buzo: Política ? Qual sua posição ?
Samella Nayara‏:
A minha visão política hoje é muito deturpada, sempre dividida e desmotivada, sinto que as coisas não vão melhorar e se melhorar não vai ser pra nós!

Buzo: VC quando declama interpreta, é do nada, ou vc ensaia ?
Samella Nayara‏:
É do nada, tanto que sempre que declamo uma poesia mais que uma vez ela sai diferente!

Buzo: Seus autores preferidos ?
Samella Nayara‏:
Alguns mestres pra mim: Elisa Lucinda, Patativa, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade e Adelia Prado.

Buzo: Planos pra 2016 e salve pra quem vai ler sua entrevista ?
Samella Nayara‏:
Meus planos para 2016 é viajar conhecer outras culturas!
Um salve para o Rafael Galindo que entrou no meu facebook sem permissão, pra Vitória Albanese minha melhor amiga pra sempre, pra Paula Vida que tem me ensinado a viver, pra Carol Martins parceira do skate e pro Mano Kill meu irmão de rua!

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10 entrevistas de 10 perguntas com 10 seguidores do Buzo no Facebook. 1/10 > ENTREVISTA EXCLUSIVA COM "Wallace Hill"

Ele trabalha com seu pai (além do corre cultural), esse trabalho o levou pra Juazeiro do Norte, mas o sonho do Rap segue vivo, lá e nos razante que ele faz em São Paulo.
Digo que ele é o maior "Gangstar" de Juazeiro.... além de ser frequentador do Sarau Suburbano no Bixiga, antes e agora quando vem a sampa, bora saber mais em 10 perguntas ?



***

Alessandro Buzo: Como foi seu primeiro contato com o Rap e poesia ?
Wallace Hill:
Primeiro contato com a poesia foi por intermédio do RAP... Pode até ter acontecido dela aparecer pra mim na escola mas atraiu minha atenção com o RAP.
O primeiro contato com o RAP foi aquela parada meio loka que aconteceu no inicio dos anos 2000, Racionais MCs estralando em TODAS quebradas, sem exceção, na mesma época mais ou menos chegou um disco do Tupac pra mim também, tanto que a lembrança mais antiga que tenho de RAP é nas festas da rapa que tinha na rua e já pro final das festas tocava logo o "Nada como um dia após o outro dia", aí já viu, geral ficava a mais no rolê...

Buzo: Como descobriu os Saraus, quais frequenta ?
Wallace Hill:
Eu colava nas batalhas de MCs, e o rolê das batalhas era ligado de certa forma com o movimento dos Saraus, e o Sarau Suburbano é fechadão com o RAP, o público é o mesmo, então comecei a colar no Sarau Suburbano primeiro, depois fui conhecendo outros, atualmente quando estou em São Paulo os que frequento mais são o Sarau Suburbano, o Sarau Saravá e o Sarau no Kintal.

Buzo: Vc fez parte do grupo INTERpretoAÇÃO que chegou a por um EP na rua, mas depois vc mudou de SP, como foi esse projeto e parou pela sua mudança de estado?
Wallace Hill:
O InterPretoAção foi uma parada muito loka, eu tinha alguns projetos de sons com o CK, pela proximidade de rua, e ele montou um grupo com o DJ Faul, e noiz era tudo a mesma banca... Foi loko porque desde o começo eles já sabiam que eu iria me mudar, e quando houve o acerto das ideias que eu entrei pro grupo, a gente trampou igual, loko, depois convidamos o Ajax e ele fechou com noiz também e quando o Ajax entrou pro grupo, começamos o projeto do EP ApresentoAção, e em 6 meses conseguimos estar com as cópias físicas em mãos, foi trampo hein malandro...
Vendemos 50 camisas sem ter 1 som na rua, fechamos show na lendária Rinha dos MCs antes do single do EP e quando lançamos conseguimos uma agenda da hora... Quem trampou com noiz sabe como foi uma parada meio loka...
Mano, eu não posso dizer que o grupo parou porque eu mudei, mas o fato de eu ter mudado fez perder força né, a gente era novo também, época de aprendizado, evolução e mudanças... Talvez mesmo que eu tivesse ficado o grupo teria acabado, mas continua todo mundo na mesma amizade de mil grau, só com menos contato...

Buzo: VC é do estilo Gangstar, como é ser Gangstar em Juazeiro do Norte ?
Wallace Hill:
hahahahaha..... Bangui é loko, Buzo, aqui tem uma cena de RAP também, mas é aquela fita, menos gente, menos recursos, mas vejo que tem gente fazendo a máquina girar aqui também...
Mas "O Gangster" ta na ativa, quando menos esperarem a gente chega com uma paradinha, um trampo daquele jeitão...

Buzo: Como é essa PONTE .... uma hora VC está em Juazeiro onde mora, mas vem sempre a SP, o que o traz a metrópole ?
Wallace Hill:
Vou pra SP por motivos profissionais, há uma conveniência de agenda, em agosto quando fui consegui esquematizar dois shows...
Mas as coisas vão se organizando e vou cada vez mais, ficar mais tempo em SP, pra dar sequencia na carreira e fazer a moeda de outras formas também...

Buzo: Qual a importância da Literatura em sua vida ?
Wallace Hill:
A Literatura MARGINAL, me influencia diretamente, nas ideias e nos contextos, aprendi mais sobre língua portuguesa com poetas marginais do que com os grandes medalhões da literatura.
Eles despertaram mais meu interesse em aprender, sobre tudo, inclusive sobre os medalhões.

Buzo: Quais mc´s são referência pra VC ? Comente sobre eles ?
Wallace Hill:
Mano Brown - Prateleira de cima do RAP, malandro zera o game, único que chega de igual é o Jay-Z, e se não cuidar o Brown "põe no bolso"
Rocha - O monstro da multisilábica, favela...
Rincon Sapiência - Divisor de águas pra mim, me fez me atentar mais sobre levada...
RGdoQI - O MC mais refrãozeiro de SP, levada cabulosa, swing monstro...
Murilo SDC - Ao mesmo tempo que é uma referência próxima a mim, é meu adversário em nível técnico, quem cola com noiz sabe como a gente quer ser os melhores, e pra isso a gente se cobra e se ajuda, mas quando a gente chega junto num som é pra "acabar com a carreira do amiguinho" hahahahahaha

Buzo: VC se acha um MC (ou) um POETA ?
Wallace Hill:
MC, vários poetas somam com o RAP, e somam muito, mas você ser um MC é além de escrever, é cantar e se posicionar em uma cultura, talvez por ter de ser mais centrado, os MCs não consigam ter o lirismo e a sensibilidade do poeta.

Buzo: Fale desse projeto novo A Banca: PRETOS SA ? Formada por Wallace Hill, Murilo SDC, Ajax e Joas, como tocar morando em Juazeiro do Norte e os demais integrantes sendo de São Paulo ?
Wallace Hill:
PRETOS SA é uma banca, nos consideramos uma empresa de entretenimento. Não vamos ficar apenas nas músicas. Somos 4 artistas solos, independentes, vamos trabalhar o coletivo e o individual.
Vai ser mais complicado fechar show da banca, mas sempre que tiver show de um, vai ter algum de nós participando e fortalecendo, até no backstage por exemplo.
Já temos o projeto Dichavando Discos, com Murilo SDC e estamos projetando outros projetos além dos sons que já tem umas paradas no forno e 2016 vai ser de mil grau.


Buzo: Qual a mensagem que vc deixaria pra todos que vão ler essa entrevista...... tipo, pra 2016..... o que VC deseja, espera.... como cidadão, como artista ?
Wallace Hill:
2016 vai ser de muito trabalho, tanto artisticamente quanto na minha carreira paralela.
Como cidadão eu desejo uma polícia que mate menos, um governador que invista mais em cultura e educação do que em polícia, lembrando que segurança e polícia não necessariamente são a mesma coisa.
E como artista desejo paz e saúde pra trabalhar, mas pode apostar que depois de mais de 2 anos "parado" (sem lançar nada) vai ter sons novos e outros projetos além da música.
Forte abraço Buzo, quero te agradecer publicamente, já somou em várias mãos...
O Gangster ta chegando!
Wallace Hill.


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10 entrevistas de 10 perguntas com 10 seguidores do Buzo no Facebook. 1/10 > ENTREVISTA EXCLUSIVA COM "SIMONE ALMEIDA"

Ela é brasileira da Bahia e mora a 4 anos em Buenos Aires, Argentina.
Trabalha com turismo..... e OSTENTA na internet com fotos em lugares maravilhosos, porque segundo ela mesmo: - Eu trabalho com o público e meus turistas querem conhecer os lugares onde eu me exibo, rs.
Vamos conhecer um pouco mais dela em 10 perguntas .....



Alessandro Buzo: VC é de Salvador - BA ? Fale da Bahia ?
Simone Almeida:
A Bahia é uma terra de todos os Santos e dificilmente não agrada as pessoas. Um povo acolhedor e muito solidário. A minha Bahia é cheia de encantos e como sou filha viro suspeita ao falar

Buzo: O que te levou pra Argentina ?
Simone Almeida:
Me casei com um Argentino no qual conheci pelo Facebook

Buzo: Trabalha com eventos ? Como é isso ? Tem ligação com grupos de Rap do Brasil, quais..... ?
Simone Almeida:
Respiro Rap, sou mais Paulista que baiana. Frequentei muitas festas de rap e hip Hop em SP. Recebi na Argentina os Racionais, Emicida e o Criolo. Hoje em Buenos Aires trabalho com turismo receptivo.

Buzo: Como é morar em Buenos Aires, comparando com o Brasil ?
Simone Almeida:
Tirando os costumes tenho que me adaptar afinal a gringa aqui sou eu. Mas tiro de letra mesmo tendo que rodar a baiana de vez em quando. Ser negra em Buenos Aires é pra poucos.

Buzo: Vc é bonita, posta fotos em praias, de biquini..... rola muita cantada idiota ?
Simone Almeida:
Isso acontece não só aqui. .. mas os argentinos são mais ousados, muito mais que os brasileiros. Eles tomam boca comigo ao lado do meu marido. No começo me assustei...

Buzo: Seu marido é argentino ? Sente ciúmes das suas fotos ? Ou pra ele é tranquilo...
Simone Almeida:
Se eu contar que ele quer tirar as fotos e que me compra as roupas mais provocantes vc acredita? Pois é assim.

Buzo: Importância das redes sociais na sua vida ?
Simone Almeida:
Eu sou formada em publicidade e acredito que quem não é visto não é lembrado, rs.

Buzo: Acha que se expõe demais na internet, ou faz parte do seu trabalho ?
Simone Almeida:
Eu trabalho com o público e meus turistas querem conhecer os lugares onde eu me exibo, rs.

Buzo: Pensa em voltar a morar no Brasil ?
Simone Almeida:
A qualidade de vida aqui infelizmente ainda não se compara com meu amado Brasil. E por isso ainda prefiro viver aqui

Buzo: O que espera de 2016 e um salve pra quem vai ler essa entrevista ?
Simone Almeida:
Que todos nós possamos ter um coração com muito amor. E que nos próximos anos possamos ter um ano sem miséria, sem desigualdade e sem racismo. Eu luto por anos melhores e desejo que todos tenham isso em mente e no coração. É noix tamo junto. ...juntos somos mais fortes.




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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Alessandro Buzo narrou sua história no Museu da Pessoa.

Fotos: Marilda Borges Ontem foi um dia bacana... terça (07/07/15), a noite teria Sarau Suburbano, mas antes .... 11h da manhã, estive no Museu da Pessoa. Fui gravar pra uma série com escritores da periferia a "MINHA HISTÓRIA" de vida. Como diz um som do Inquérito: Se a história é nossa, deixa que "Nóiz" escreve. Já narrei minha trajetória em 2 livros (parte 1 e 2). Agora narrei ela em quase 3 horas de gravação, pra eternizar no MUSEU DA PESSOA. Toda trajetória deve ser contada.... Fiquei muito honrado. O JONAS foi meu apresentador, o mano que operou a câmera da quebrada (CAPÃO), da hora ver a rapa trabalhando, com áudio visual. Assistiu a gravação minha esposa Marilda e meu filho Evandro. Vai sair um pequeno editado de 3 minutos em vídeo.... tudo que NARREI vai ser transcrito e disponibilizado no Portal do Museu da Pessoa. Eu vou estar nessa série sobre literatura....... mas QUALQUER PESSOA pode ser inscrever e contar sua história, eternizar ela. Fica a dica Senta que lá vem história....

terça-feira, 26 de maio de 2015

Entrevista exclusiva com Nelson Maca que lança Gramatica da Ira, seu primeiro livro.

Prestes a promover uma série de lançamentos do seu primeiro livro em São Paulo, o escritor e militante Nelson Maca concede entrevista exclusiva para Alessandro Buzo, confira.... Fotos: Léo Ornelas Alessandro Buzo: Nos fale do seu primeiro livro, Gramática da Ira ? Nelson Maca: Gosto de falar, primeiramente, duas coisas: é um livro assumidamente de Literatura Negra e tem uma produção independente. Na verdade, comunitária. Tive a preocupação de fazer dele uma extensão de minha própria vida, porém buscando uma estética, ou seja, ter beleza na escrita. É independente no sentido de que não contou com dinheiro ou apoio material governamental nem patrocínio de empresas privadas. Alguns amigos estão apoiando voluntariamente agora. Bancamos o livro e, com ele, estamos lançando também nosso selo, o Blackitude. São poemas feitos entre 1999 e 2008. Apenas dois são posteriores. A diagramação e arte são do meu amigo Welon Santos, Penga. Utilizamos, na capa e na orelha, fotos de outro grande parceiro, o Leo Ornelas. Do estabelecimento do texto final, cuidei juntamente com minha esposa, Ana Cristina Pereira. Além dessa aliança de base, tive a honra de contar com o prefácio de meu Grande Mestre Carlos Moore, a apresentação de minha irmã Graça Gonçalves, além de ter, nas orelhas, trechos dos escritores Alejandro Reyes e Marcelino Freire, e também do rapper GOG. Buzo: Quais foram as maiores dificuldades ou obstáculos pra publicar ? Nelson Maca: A primeira dificuldade foi escrevê-lo, porém isso é prazeroso, né! Toda a preparação dos originais exige muita disciplina, um errinho é fatal. Eu tava com o projeto do livro pronto desde 2008, quando considerei fechados os poemas. Meu primeiro passo mais efetivo para uma publicação foi em São Paulo, pela Global Editora, na Coleção Literatura Periférica. Mas, graças a Oxalá, essa negociação não avançou. Depois vieram mais dois convites de editoras de médio porte, e nada! Finalmente estava mais convicto – eu já estava antes - de que podemos ser independentes. Sempre gostei do lema “faça você mesmo!” (do it yourself!). Resumindo, a primeira dificuldade é ter, de fato, um livro bem escrito em mãos. Só o leitor crítico poderá confirmar se meu livro é válido ou não nesse quesito. A segunda dificuldade é dinheiro: sem dinheiro, fica tudo mais lento, mais difícil. Mas driblamos bem tudo isso, com calma, sem pressa! Hoje, só não temos a gráfica... mas sonhamos ter! Buzo: Verdade que recusou algumas editoras ? Senão já teria publicado antes ? Nelson Maca: Sim, é verdade! Já citei a Global acima, porque foi público e notório. O mais difícil foi recusar editoras alternativas ou de amigos, mas aí eu já tava convicto de que queria estar solto e, mais, ter nosso próprio selo. Essa insistência no selo foi também para entrar no processo editorial local. Em Salvador, por onde circulo, geralmente pelas quebradas, tem muita gente lendo, declamando, escrevendo. Mas temos poucas edições alternativas de livros. Geralmente, quando aparece, trata-se de “edições do autor”. Quero muito mediar a edição de novos autores da Bahia. Buzo: O que pretende de retorno do livro ? Nelson Maca: Primeiramente, que ele se pague. Depois, que tenha alguma importância para seus leitores. Queria que a Gramática da Ira trouxesse um pouco de inquietação. Na verdade, que instaurasse alguns conflitos. Queria, com meu livro, não somente como um projeto literário, mas igualmente um programa de lutas. Então, quando ele desagradar, também ficarei satisfeito. Todo o livro, na verdade, fala de mim: infância, juventude, maturidade... alienação, revolta, tomada de consciência! A “alma” comum dos poemas é a Negritude, sem tréguas. Então, minha maior pretensão é sondar nossos estágios corporais e subjetivos. Tentar expressar como é transitar numa sociedade estruturalmente racista na condição de pele preta, mas também falar de nosso cotidiano mental, espiritual. Ou seja, o que se passa em nossa cabeça, nos nossos diversos estágios físicos e mentais, quando somos alvo de tanta brutalidade, concreta e simbólica. Buzo: Como é lançar independente ? Nelson Maca: Uma alegria, um sentimento de força e uma sensação incrível de liberdade. É bom poder gerenciar a caminhada de nossos livros! Estabelecer o preço, negociar condições, definir agendas, etc e tal. O que pesa mais é cobrir as despesas, porque, aceitando ou não, isso deixa muito evidente para nós que o livro é também um “produto”, e, como tal, tem um custo para estar na praça (alto para nossas condições); e terá outro para ter continuidade. Idem para o selo. Mas, ainda assim, sei que a sensação que sinto no momento, de independência, é única e nunca esquecerei. Sim, nós somos leitores, escritores e editores. E, sim, nós também podemos ser os chefes de nós mesmos! Tô curtindo isso a milhão, mesmo sabendo que já tá chegando a data de cobrir o cheque e ainda preciso vender uma pá de livros, para sair do vermelho! rsrsrs Buzo: Você tem lançamentos agendados em alguns estados do Brasil, fale a respeito e como viabiliza essas viagens ? Nelson Maca: Normalmente, nossa estratégia é aproveitar as passagens de outros eventos, que bancam nossa ida, e esticar a temporada, para poder fazer nossa caminhada ao lado do nosso povo. Aí é daquele jeito: hospedagem solidária, busão, prato feito, etc. Por exemplo, é assim que caminharei por saraus e projetos alternativos de São Paulo, entre 22 e 28 de junho. Às vezes, mesmo em eventos nas periferias, ou com grupo que não tem receita própria, as pessoas se juntam e providenciam algum apoio ou então fazem o que chamamos aqui na Bahia de “intéra”, isto é, uma “vaquinha”. Por exemplo, estarei no início de junho em Brasília - depois, em julho, no Rio de Janeiro - desta maneira. Posso, ainda, eu mesmo comprar minhas passagens quando estou em condições e acho importante estar nos lugares. Nos últimos anos, tenho sido bastante convidado para feiras de livro, bienais, festas, etc, e também para palestras, mesas, seminários. Espero que isso continue em 2015, para, com essas viagens, eu poder estender minha caminhada para os lugares que me queiram presente, mas que nem eles nem eu possamos bancar, materialmente, minha ida. Sobre agenda para eventos de lançamentos, ou que preveem assinatura do livro Gramática da Ira, a coisa tá muito bacana. Já tenho programado Brasília (05 a 08 de junho), São Paulo (18 a 29 de junho), Embu das Artes (02 de julho), Parati (03 a 05 de julho), Rio de Janeiro (06 a 13 de julho), Ilhéus (22 a 24 de julho). Tenho também várias ações aqui em Salvador. Buzo: Se tornar um escritor publicado, muda o que na sua vida ? Nelson Maca: Primeiramente traz a felicidade pela realização de um projeto que se tornou importante na minha vida. Me acostumei a efemeridade da performance, sabe! Você faz uma puta declamação e, dois minutos depois, já foi! Rsrs Hoje me considero um poeta da oralidade, acho que é o que faço melhor e diferente na literatura. Mas ter um livro é mesmo incrível! É bom ver as pessoas levando meus poemas para casa, para ler depois, a sós, calmamente, transcrever trechos, publicar na internet, etc. Caramba, isso é bom mesmo! Acho que, pela primeira vez, me vi a mim mesmo de fora, de longe. Percebi que há um escritor Nelson Maca. Eu já tinha sentido um pouco disso nas coletâneas que participei, incluindo, logicamente, o Suburbano Convicto: Pelas Periferias do Brasil. Mas ver nascer um livro só meu, com meu nome na capa, não é pouca emoção, não! Não sei dizer o que mudará na minha vida efetivamente, além dessa mudança interior, que é, também, crescimento, creio. O que já sinto, por exemplo, ou prevejo, é que, agora, tenho um cartão de visitas poderoso, pois nossa sociedade preza demais a escrita, a publicação, o livro. Espero que ele possibilite que eu e minha literatura cheguemos a mais e diversificados lugares e pessoas. Por outro lado, não poderei mais falar que frequento os eventos de livros sem ter um livro publicado. Perdeu o charme, não posso mais tirar essa onda! rsrsrs Buzo: Você é professor de literatura na Bahia, como conciliar o trabalho acadêmico e o cultural ? Nelson Maca: Nossa, que pergunta... rsrs Repare como você coloca bem o problema com sua pergunta: ser poeta e trabalhar com cultura pode me colocar em conflito com meu ofício de professor de literatura. Loco isso, né! Mas tenho levado bem! O fato de ser professor me dá, anualmente, além das férias (fins de junho e julho), um recesso (fins de dezembro, janeiro e parte de fevereiro). Isso me permite circular bastante fora da Bahia, por exemplo! Outra coisa: na universidade, no caso específico das aulas, podemos concentrá-las em poucos dias da semana. Logo, não é difícil conciliar o “tempo”. Salvo, principalmente em caso de viagens, quando há choque de agendas. Aí negociamos com a instituição e alunos, para fazer compensação ou reposição de aulas. Tenho levado isso tranquilamente! Estou há vinte anos na Universidade Católica de Salvador; e no coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia há mais de quinze anos. Em muitos momentos, consigo atrair alunos para os eventos fora e, noutros, trazer a juventude do hip hop e afins para dentro da universidade. Buzo: O que destaca na cena de Salvador ... entre Hip Hop e literatura ? Nelson Maca: Com relação à literatura, há hoje vários saraus acontecendo, o que, felizmente, tem dinamizado o processo literário. Grupos de poetas estão se formando, além ter surgido jovens e promissores escritores. O Sarau da Onça, da Chácara, o Sarau do Gato Preto e o Dominicaos são alguns dos eventos bem interessantes da cena local. Diferentes na proposta e na composição dos frequentadores, porém muito vivos. Artisticamente, o hip hop baiano cresceu muito. Como em todo lugar, as posses estão sumindo e, a cada dia menos, vemos aquela preocupação coletiva e movimentação pelo social. Eu sinto bastante falta disso! Mas ainda existem... O grafite, o break e o rap por aqui cresceram assustadoramente, em número e em qualidade técnica e criatividade. É bom ver também o crescimento da cultura do Dj, embora,hoje,poucos se reconheçam com Dj de Rap, de banda! Mas estão profissionais, com bons equipamentos e se aventurando bem mais na produção musical. Buzo: O que vem a ser a Blackitude - Vozes Negras da Bahia ? Nelson Maca: Originalmente um coletivo de hip hop voltado para as questões e expressões da Negritude, que completa 16 anos em novembro de 2015! Chamamos o que fazemos de AFro-Hip-Hop! Desde o início, flertamos com o audiovisual (exibição de vídeos) e com a literatura, mais especificamente a poesia. Gostamos de fazer atividades artísticas juntamente com as de formação e informação. Tentamos, ainda, preservar os 4 elementos em nossos eventos. Mas fazemos outras coisas, entre as quais, as mais populares são os bailes blacks e os saraus literários. Buzo: Você promove o Sarau Bem Black em Salvador, nos fale desse tudo desse projeto? Nelson Maca: O Sarau Bem Black reúne negros, negras e outras pessoas libertárias, em torno da literatura, mais especificamente sua performance. Iniciou-se em setembro de 2009 e acontece até hoje. Por, aproximadamente, 4 anos e meio, aconteceu, semanalmente, no Sankofa African Bar, no Pelourinho. Com o fechamento do Bar, em 2014 migrou para as ruas do mesmo bairro. Antes acontecia toda quarta feira, porém, em 2015, acontece mensalmente, sempre na primeira quarta do mês, no Café da Walter, que fica na Biblioteca dos Barris, centro. Esta fase é provisória, pois estamos em articulação para voltar ao Pelourinho, onde melhor nos identificamos. O sarau serve como palco para trocas poéticas e simbólicas. No sarau, há exibição de filmes e fotos, lançamentos, audição de músicas e outras performances , como dança, pintura e artes plásticas. Tudo norteado pela negritude. Entendo e busco criar um ambiente de profundo aprendizado no Sarau Bem Black. O sarau é nossa universidade livre. Em alguns momentos, temos bate-papos que são profundas “trocas” de conhecimentos. Muita gente bacana já passou por lá, artistas, escritores, ativistas e intelectuais do porte de Carlos Moore, Sérgio Vaz, Conceição Evaristo, Zinho Trindade, Berimba e Jesus, Cuti, José Carlos Limeira, Michel Yakini, Raquel Almeida, Alejandro Reyes, Marcelino Freire, Mano Teko, Dexter, GOG, Marechal, Vagner Souza e mais uma porção de gente boa. Influenciados pelo Sarau Bem Black, acompanhamos a estreia de novos autores e o nascimento de novos saraus, na Bahia e no Brasil, como o Sarau da Mata (Mata Escura), da Onça (Sussuarana), Divergente ( Rio de Janeiro), Sopapo Poético (Porto Alegre), Debaixo (Aracaju), Sarauê (Brasília). Buzo: Na literatura marginal, no cenário nacional, o que você destaca ? Nelson Maca: Eu gosto de me referir ao conjunto de autores não canônicos como Literatura Divergente. Destaco principalmente as cenas dos saraus e a postura de independência estética e editorial. É muita invenção! Com o Encontro de Literatura Divergente que tenho realizado em parceria com meu amigo e grande escritor Berimba de Jesus, tenho encontrado e conhecido muita gente bacana. Não citarei nomes, para não parecer que estou criando uma hierarquia. Mas conheci pessoas que fazem ações poéticas em saraus inusitados, como ônibus, banheiros, muros... suportes incríveis, nos chamados livros objeto... temas polêmicos como racismo, homofobia, sexismo... que tocam editoras independentes e alternativas... Buzo: Você conhece muitos coletivos de sarau em São Paulo, o que pode falar sobre eles ? Nelson Maca: São Paulo foi minha principal escola de sarau! Foi em SP que essa fita de sarau me fisgou de vez. Já conhecia e até frequentava saraus, em Curitiba, em Salvador. Mas conhecer os saraus da periferia de São Paulo foi uma coisa forte. Quando visitei a Cooperifa pela primeira vez, logo me apaixonei. Vendo a potência do Sérgio Vaz e toda aquela gente maravilhosa, no bar do Zé Batidão, voltei para casa com a possibilidade e o dever moral de tocar uma ação literária libertária potente e com vínculo com a periferia. Cheguei em Salvador totalmente convicto de que deveria inaugurar um sarau. Na sequência conheci o Elo-da-Corrente, em Pirituba, no incrível Bar do Santista. Lái me senti, e me sinto, totalmente em casa. O Elo e o Sarau da Braza já apresentavam algo central nas minhas preocupações: a questão da Negritude! Outro sarau que me marcou bastante foi o Suburbano Convicto, pois me possibilitou a experiência de participar da primeira edição, ou seja, eu estava, juntamente com o GOG, na fundação, ainda no Itaim Paulista. Também me sinto muito feliz de ter me batido com as publicações, ações e eventos do Berimba e das Edições Maloqueirista. Não consegui conhecer o Sarau do Binho original, no Bar do Binho. Minha grande Frustração! Quero muito visitá-lo agora e, igualmente, tomar contato direto co alguns saraus dos quais tenho tido ótimas notícias: Saraus da Kambinda, Codinome Liberdade, do Fórum, Perifatividade, O que Dizem os Umbigos, da Madrugada e, urgentemente, fazer alguma poesia no Quilombaque! Quero muito ir ao Quilombaque! Acho que esqueci vários. Perdão, pessoal! Pra finalizar, um BATE BOLA ........ Um sonho realizado? Nelson Maca: Virar baiano e morar em Salvador. Um sonho a realizar? Nelson Maca: Ter um espaço cultural da Blackitude. Um time? Nelson Maca: Corinthians Um livro? Nelson Maca: Atabaques, de José Carlos Limeira e Èle Semog Um escritor? Nelson Maca: O poeta baiano José Carlos Limeira. Um filme? Nelson Maca: Faça a coisa certa, de Spike Lee Um ator? Nelson Maca: Lázaro Ramos. Uma referência? Nelson Maca: GOG, o poeta do Rap.

domingo, 10 de maio de 2015

Entrevista exclusiva com o COMBOIO, Campeão do Take Back The Mic em Miami

Alessandro Buzo entrevista com exclusividade o Grupo de Rap COMBOIO da Baixada Fluminense (RJ), eles acabaram de voltar de MIAMI onde foram campeões do Take Back The Mic, o Campeonato Mundial de Hip Hop. Trouxeram o caneco pro Brasil, COMBOIO é formado pelos rapper´s, Dudu de Morro Agudo (DMA), Marcão Baixada e Léo da XIII. Vamos ver o que eles tem a nos dizer dessa experiência loka nos E.U.A. *** Alessandro Buzo: Como vcs descobriram o Take Back The Mic ? Comboio: Uma amiga produtora cultural aqui do Rio de Janeiro me pediu ajuda para divulgar a plataforma Amp.It e o Festival Take Back The Mic. Então comecei a olhar a plataforma e decidi inscrever o grupo. Buzo: Esperavam chegar a final em Miami ? Comboio: Na verdade não, porque a gente se inscreveu faltando apenas três dias para encerrar a primeira fase. Nos inscrevemos mais para ver como funcionava e daí nossa pontuação começou a subir porque nossa música foi muito ouvida e compartilha, além do Brasil, na Colombia, França e Jamaica. Depois que chegamos na semi-final as esperanças aumentaram. Buzo: DMA, vc tem uma carreira solo ou agora só com o COMBOIO ? Comboio/DMA: Tanto eu, quanto o Marcão e o Léo da XIII temos carreiras solo, isso é o tempero do #ComboIO. A gente costuma dizer que o #ComboIO é maior do que a soma de nossas partes. Sendo assim as careiras solo continuam. Buzo: Como foi ser campeão em Miami ? Comboio: A ficha ainda não caiu cara, porque além das votações pela internet a gente não sabia se havia mais algum critério. Quando a notícia chegou, estávamos curtindo o show do Crew Peligrosos, da Colombia, então o DJ Maseo, do De La Soul, subiu no palco e disse que o caneco era do Brasil. Foi uma surpresa, pois os outros dois grupos que estavam disputando eram bons demais. Mas segundo o próprio Maseo, a energia que eu e os caras transmitíamos em cima do palco ia além da tecnica. Buzo: E a experiência, na terra do Tio San, além do evento, campeonato ? Comboio: Foi uma experiência única. Os caras são muito perfeccionistas, o governo realmente trabalha para o bem da população. Minha visão foi muito superficial, claro, pois fiquei apenas cinco dias e em uma área extremamente turística, mas tudo o que vi lá, ainda não vi no Brasil. Buzo: Nova Iguaçu recebeu vcs como na volta ? Comboio: A repercussão me assustou, não imaginei que seria dessa forma. TODO MUNDO esta sabendo. A galera estava querendo nos buscar de carro de bombeiro no aeroporto, umas paradas surreais. Ligaram para o Corpo de Bombeiros e tudo mais. Os amigos do Rio e de Nova Iguaçu. A galera de sempre deu aquela moral de sempre, festinhas acontecendo, a galera parando na rua e perguntando como foi e tal. Por último o Prefeito, a Vice-prefeita, o presidente da Câmera de vereadores e o secretário de cultura nos receberam e trocamos algumas ideias e eles disseram que vão tentar ajudar o Enraizados e reconheceram a importância da organização para os jovens da região. Buzo: Quais próximos passos do COMBOIO ? Comboio: No início do ano a gente já estava na intenção de fazer um espetáculo com as músicas do disco antigo e começar a pensar o disco novo, mas depois dessa viagem outros planos apareceram em mente. Em breve vamos jogar no ventilador. DMA e Buzo